Por onde andei enquanto você me procurava?

A primeira vez em que viajei sozinho foi também a primeira vez em que voei num avião. Era 1991 e meu trabalho com importação por algum motivo me levou até a Câmara de Comércio Exterior no Banco do Brasil, no centro do Rio de Janeiro — uma ponte áerea!

Jogo rápido: ir até lá, protocolar um documento e voltar. Mas era minha primeira vez… Ao contrário de muita gente, cuja primeira vez é num bordel sujo com uma senhora mais velha e sem qualquer sentimento pelo jovem assustado, minha primeira vez foi com amor! Então com 17 anos (bem perto dos atuais 1.83m, embora uns 20kg longe dos atuais 95…), eu ainda era “menor de idade”. Assim sendo, a aeromoça abriu a porta de embarque no Aeroporto de Congonhas exclusivamente pra mim e me conduziu até o avião antes dos demais passageiros, me permitindo escolher um melhor assento!

— Chupa, Bruno!!! — pensei.

Não pensei. Muito jovem, inocente e bom (= virgem) pra pensar assim. Mas, apesar inseguro e tímido, cheguei bonitinho (e já não virgem… de aviões) à Cidade Maravilhosa, segui direitinho o mapa que meu chefe desenhou, entreguei o documento e pouco mais de uma hora depois já estava de volta ao Santos Dummont (Era esse? Já não lembro…) pra voltar a São Paulo.

Continuava “de menor”, portanto imaginei novo encontro amoroso com a nova comissária de bordo. Mas quê! Fui ignorado solenemente, tratado como mais um passageiro qualquer sem direito a privilégios de embarque ou de assento.

— Virgindade só se perde uma vez… — lamentei.

Minha outra primeira viagem, a internacional, foi também a trabalho e o destino foi nosso querido país vizinho, a Argentina. Querido mesmo: fui (sempre) muito bem tratado pelos colegas! Não estava sozinho dessa vez, me acompanhava o então gerente da filial — um gaúcho grisalho, braços e coxas grossos, lindos olhos azuis — para uma preparação técnica de sua conexão ao servidor brasileiro onde residiria seu sistema de faturamento. (Em 1998 eu já trabalhava para o “CPD”, o “departamento de informática”.) Ainda inexperiente em viagens, contudo, creio que me esqueci de como minha mala se parecia! Nunca havia viajado sendo o responsável por alguma bagagem… Esperamos, esperamos e nada de a minha aparecer na esteira:

— Certeza de que nenhuma dessas é a tua, Eduardo?
 — Certeza!

Acompanhado do gerente, não senti insegurança ao reportar a perda nem em chegar ao hotel. E logo na manhã seguinte o pessoal do aeroporto entregava a mala em meu quarto. Era azul-marinho, não preta como eu acreditava e tinha marcado nos formulários. Então provavelmente ela havia estado passeando, sim, pela esteira…

Outra viagem marcante, daquelas que “só em sonho”, foi pra Atenas! Celebrei meu 28º aniversário (com bolo e parabéns!) com meus colegas gregos e passei 3 lindas semanas trombando com ruínas milenares ao sair do McDonald’s local — achei maravilhoso! Também tive a oportunidade rara (porque paga pelo então chefe) de passear de barco para as três ilhas mais próximas, no primeiro fim-de-semana.

E aquele sábado inteiro passado no Parthenon, ah…

Muitas outras viagens eu fiz. Pra Dinamarca, “meu país”, tantas vezes! Nem sonhava, na primeira vez, que retornaria sequer uma outra vez e, menos ainda, que inclusive moraria nessa terra por 5 meses, em 2001! Primeira vez morando fora de casa, primeira vez cozinhando (me queimando), lavando (segurando a lavadora-saltadeira com as costas), passando (sujando a roupa de ferrugem do ferro-literalmente-velho)…

Alemanha, Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, Estados Unidos, Grécia, Inglaterra, México, Peru, Portugal, Suécia, Uruguai, Venezuela: mais viagens do que me lembro. Mais pessoas, experiências e lugares do que guardo algum registro. Não só a trabalho, não só de avião, não apenas sozinho (estas, num outro nível de alegria)!

Viajar é preciso. Também é surpresa, imprevisto.

Com surpresa — uma bela surpresa! — fui apresentado à MarcoPolo Editions (http://marcopolo-travel.weebly.com).

Pra quem sabe que viajar num ebook também é viver a aventura!

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