Quando falta algo

Quando Dr. House bradou:
— Everybody lies!
Em pensamento justifiquei:
— Eu apenas “ominto”…
Mas omitir, sendo uma forma de manipular a conclusão do outro rumo ao contrário do que seria verdadeiro, não pode, com efeito, prescindir daquela “n”!
Entendo gramaticalmente a construção:
— O Eduardo é a criança mais inteligente da escola.
No sentido de que o gênero do artigo combina com o do sujeito. Inclusive pode-se dizer que o determina (apenas pela leitura direta, contexto/experiência a parte, só sabemos que “Eduardo” é “masculino” por conta do “o” que precede esse nome).
Não entendo, contudo, a inversão de gênero que ocorre com as letras, quando nos referimos a elas omitindo precisamente a palavra que as define:
— A letra “a” é a primeira vogal do alfabeto.
— O “a” é a primeira vogal do alfabeto.
São “lógicas” diferentes, confundindo tudo. Por que não temos:
— O crianço mais inteligente da escola.
ou
— A “a” é a primeira vogal do alfabeto.
ou
— … prescindir daquela “n”.
?
Se você já possui direitos especiais vinculados à terceira idade (meia-entrada nos cinemas, transporte gratuito, etc.), parabéns: você acaba de adquirir também o dever de nunca mais corrigir o Português alheio!
Convenhamos: a Língua é dos lingüistas (acadêmicos ou populares), de quem dá uso a ela. Não dos gramáticos. Se ninguém quiser, as cretinices no Novo Acordo Ortográfico não passarão. Está certo de que se este for — e será — ensinado às nossas crianças, o Português falado e escrito daqui a uma geração será diferente do da geração anterior. mas não é só isso e nem o principal da questão: estou seguro de que a Língua que você e eu usamos hoje já tem muitas diferenças em relação à de nossos avós. Se não por um nova Gramática, pelo uso popular, gírias, neologismos.
Pare de dar uma de escorreito. Se tu passou dos 60 e ainda corrige os outros, te falta vergonha na cara — não te vejo defendendo o idioma do tempo da sua avó…
Porntanto, aceita que dói (doi?) menos!