Reencontros

— Eu já te falei que todas a vezes que penso na velocidade da luz eu lembro nitidamente você me ensinando essa informação?
 
 — Falou não. Eu que ensinei, foi?

— Você apagou a luz, ficou perto do interruptor e disse: “ Imagine que a luz está a 300 mil km daqui…” Um segundo depois você acendeu a luz! Genial! :-)

Esta lembrança hoje me fez um bem… 
Pensar em mim aos onze anos tendo um rompante de inteligência ou criatividade. 
Pensar no amigo que fiz naquele ano e carreguei pra vida toda - um amigo iluminado em todos os sentidos. 
As descobertas que fizemos. As aventuras que vivemos. As bagunças que armamos. Muitas dessas com minha irmã a tiracolo. Um belo trio! Um ano intenso, muito divertido. Os “mini-adultos” com agora vários professores em vez de uma “tia”. Os passeios a bicicleta. Os dias em que faltávamos à aula - basicamente sob influência minha, que me enjoava com as matérias que nós três compreendíamos sem esforço. Ou nós dois. Ou eu? (Nunca reclamaram nem ficaram em recuperação, pelo menos: bem o oposto disso!)
Deu saudade. 
Bateu uma alegria pelo amigo ainda presente e que ainda se admira - com a natureza, com a bondade, com os prazeres simples (mesmo quando sofisticados).

— Irmãããão! Gostou do Yoda!?

— Ainda não sei… Quer dizer, não tô acostumado com chaveiro e ele fica batendo na minha perna enquanto dirijo. Por outro lado, ele é lindo e fofo. Mas não acende? Não faz nada? Nem precisa, mas o olhinho parece de acender… Só não achei botão.

— Aperta em cima da cabecinha dele… Acende os olhos!

— EITA!!

— Que foi? Cuidado que a luz é forte!

— Fiquei cego mesmo! :-)

Lembro do nosso tosco “show de mágica”. 
De você boa de bola e de botar a ordem na casa, batendo nos meninos da rua. 
Do seu medo de subir no muro. 
Dos meus chutes ortopédicos na sua canela. 
De você me buscando todas as noites, tarde da noite, no metrô mais próximo (e ainda tão distante de casa, depois do trabalho e da faculdade). 
Lembro de você cuidando do nosso tio, do nosso primo, do nosso amigo. 
Mãos de luz.

— O “estraga-o-bofe” já foi uma delícia e agora [almoço] essa carninha também está de lamber os beiços… Obrigado!

— Isso me deixa feliz!

— O que me deixa feliz é ter você como minha Mamãe!

— Você é muito lindo. Deus te abençoe sempre!

Espero que sim, Mamãe, espero que sim. 
Que Ele exista (mesmo que seja Ela ou sejam Eles ou nada assim) e que nos abençoe(m). Que nos chame(m) os olhos a verem o que é bom, justo, belo.

E a transformar nisso o que não é.

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