S14E21

NÃO INVENTES

Não venhas cá com merdas. Não inventes. 
Não olhes nos meus olhos. Sai apenas. 
E poupa-me aos discursos eloquentes
e às farsas do adeus. Não faças cenas.

Não digas que lamentas ou que a vida
às vezes é assim: que tudo esquece; 
que o mundo e o tempo curam qualquer ferida.
Repito, meu amor: desaparece.

E leva o que quiseres de tudo quanto
um dia suspeitámos partilhar:
os livros, as esculturas em pau-santo,
os discos, os retratos, o bilhar.

Não deixes endereços. Por favor:
eu quero é que te fodas, meu amor.

  • José Carlos Barros, O USO DOS VENENOS (Língua Morta)

FEEDBACK SONG FOR A DYING FRIEND

Eu quis escutar, você não quis dizer. Agora não peça, não me faça promessas. Eu não quero te ver mas quis acreditar que seria diferente e que nada havia mudado. Você diz não saber o que houve de errado e meu erro foi crer que estar ao seu lado nos melhoraria… Mesmo querendo eu não vou me enganar: eu conheço os seus passos, eu vejo os nossos erros. Não há nada de novo, você ainda é igual. Por isso fora, esqueça meu rosto, meu nome, esta casa… e siga seu rumo. Esqueça de mim que, afinal, pra esquecer você tem experiência.

  • Eduardo de Souza Caxa, 3 E 15 (Index eBooks)

Gostei muito do poema do Zé! Até pra reforçar que it takes two to tango — e é imperativo sentir e respeitar as reações do parceiro de dança. Mas entre Carlos Gardel e Pimpinela, prefiro Gonzaguinha.

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