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Dimass, Milton e… como é o outro?

Sim, Dimass com 3 “esses” — é o que diz o adesivo colado ao seu respectivo espelho. São os três cabeleir… barb… os três tiozinhos do “salão” ali do bairro. Ou do lugar onde vou para que cortem meu cabelo, a cada três meses. Lugar esse exatamente igual àqueles onde nossas mães nos levavam, quando crianças. Sem frescura, sem revistas do mês, sem produtos de beleza de marcas conhecidas, sem fotos de divas do cinema ou da televisão para que a gente possa escolher:

— Quero aquele!

Pelo que assume-se ser um salão masculino. Barbearia, pois. Não? Bom, mulher nunca vi ali. E barba já vi fazerem. Toalha quente, navalha, a coisa toda.

— Como vai ser?

— Máquina 2 nas laterais e abaixar com a escova só o suficiente pra não arrepiar.

A parte do “… não arrepiar” eu aprendi com o pai do Milton. Acho que era o pai... Não corta mais no salão — talvez aposentado. E nem sei se “aprendi”, apenas repito o que ele me disse uma vez.

— Se abaixar muito teu cabelo arrepia em cima.

São do Ceará. Alguma cidade interiorana. Sei disso não por ser de muita conversa mas por frequentar o mesmo salão há uns anos e eventualmente escutar o que comentam entre si ou com outros clientes mais dispostos. De como era dura a vida lá em… Onde? Mas migraram ainda jovens pra cá. E era mesmo o Dimass quem comentava: aos 8 ou 10 anos de idade.

Máquina 2… Ousei (normalmente vou de 3)! O tiozinho demora uns minutos pra começar, mais interessado no escorpião que janta uma barata no documentário sobre natureza que passa no televisor do salão.

— Come barata… Dessa eu não sabia, não!

Mas é habilidoso e, acredito, caprichoso. Por “caprichoso” entenda-se “demora mais do que eu gostaria”. Leva uns 30 minutos. Cobram 30 reais. Apenas no débito e até esse é uma novidade — antes, só dinheiro: um saco!

Nessa meia hora penso se já não é tempo de experimentar um desses salões “gourmetizados” de “hoje em dia” (paradoxal que se inspirem e decorem justamente como nos — americanos — de antigamente: poltronas gigantes, pôsteres de artistas, motos, uísques, mesa de bilhar…) Diz-se que a primeira cerveja é cortesia.

— Como vai ser? 
 — Olha, meu amigo, é minha primeira vez num salão de verdade e confesso que nunca tive a curiosidade nem a vontade de aprender nomes de cortes, estilos, nada disso. Barba também nunca fiz. Portanto, analise aí as minhas madeixas e faça como achar melh…

Calma! Se eu deixar por conta do moleque hipster, capaz de eu ter que investir em pomadas modeladoras, escovas especias, secador… bobs!? E a navalha, será que evita a subsequente irritação que acomete meu pescoço (não tem preposição — fui checar!)? Por conta dessas perebas eu nunca mais usei barbeador.

Agora já deixei de prestar atenção ao Dimass e só “desperto” quando ele terminou. Espelho móvel pra mostrar a parte de trás, primeiro de um lado, depois de outro. Me preocupa mais a careca que saber se ele fez o “pezinho” redondo ou quadrado — nem pedi de um jeito ou de outro, aliás.

Em casa, antes do banho, abaixo a barba de duas semanas com a maquininha configurada na altura “zero”. A cada olhada no espelho noto que tem um lado maior ou mais torto. Ajeito da melhor forma que consigo e penso que talvez os muitos dinheiros no salão chique compensem pelo resultado.

Depois penso que Dimass, Milton & Cia. devem barbear tão bem quanto. Décadas de prática…

Mas este é um dilema a ser resolvido somente daqui a dois ou três meses… Mais imediato é decidir:

- Tradicional Completo + Hidratação ou Argiloterapia? Preciso de Fototerapia? Num shopping ou no bairro?

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