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Queria falar sobre ervilhas

Esta semana comprei uma bandeja de ervilhas no mercado.

Correto, bandeja; não lata, nem pote. Ervilhas ainda em seu… casulo? É vagem que se diz?

Comprei por impulso. Pela lembrança dos hotéis fitness na Dinamarca que, em vez de bolachinha (biscoitinho, pra você que não sabe o nome certo) nos serviam palitos de cenoura, pepino e… ervilhas?

Já não sei!

Talvez vagens — de outro tipo. E, portanto, sem sabê-lo, também não sabia como prepará-las…

As ervilhas, não as vagens. Ou as ervilhas em suas vagens, que não eram as vagens de antes.

Lembro que eram crocantes. Cruas? Definitivamente, não cozidas… demais. Flambei-lhas… não… branqueei-as… não? Botei-as numa panela com água salgada e cozinhei-as lá por uns minutos, suficientes pra dar um gostinho (não ferveram). Crocantes! Docinhas! Levemente salgadinhas, também. Ervilhas (em seus casulos-vagens) “bipupilares”!

Enquanto as triturava com os dentes e enquanto o aparelho dos dentes tentava salvar-lhes algumas entre seus ferrolhos, eu refletia sobre as vagens-casulos. Como úteros, protegendo seus bebês que, dormentes, não fazem ideia do mundo que os aguarda aqui fora…

Das dificuldades de penetrar à terra. Da inconstância das águas. Do espaçamento das sementes. Se há muito ou pouco sol. As plantas invasoras. A ameaça dos pés distraídos, dos parasitas, dos coelhos, dos dentes com ou sem aparelhos… Refletia sobre o tempo em que as baby peas têm que enfrentar até fortalecerem-se em árvore e então sustentarem-se com as próprias pern… caules.

Árvores??

Xi, não! Estão mais pra arbustos… Trepadeiras, de fato: suporte é sempre, a vida toda, necessário para que se firmem.

Em outra página vejo que lhe chamam (as vagens, não as ervilhas) de “favas”.

Às favas, pois, com as vagens, os bebês e os úteros, a proteção e o suporte para além do viável!

Que eu preciso cuidar da minha alimentação.