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Dia estressante no trabalho!

Por conta do pessoal que precisa ser guiado pela mão, de novo e de novo e outra vez. Repito instruções, repito e-mails, repito conversas… e mesmo depois de me afirmarem que compreenderam, que sabem o que fazer e como… voltam com as mesmas perguntas, os mesmos dados incompletos, a mesma confusão.

Saio do trabalho decidido a eu mesmo obedecer uma receitinha, pra desanuviar.

Relaciono e compro os ingredientes. Arranjo toda a mise en place. Por fim, monto tudo bonitinho e mando pro forno.

OK, é verdade que não estava seguro de salsa e salsinha serem a mesma coisa… mas porque o preço de uma (já picada) era metade do da outra (também picada), então optei pela primeira.
OK, está correto que me perguntei sobre a espessura da fatia da batata… mas isso porque meu mandolin (curiosamente, a mesma palavra, em inglês, significa bandolim) as fatiava finas demais, então resolvi o problema a mão (e faca).
OK, também é certo que comecei tirando as sementes do tomate com a faquinha e só depois enfiei o dedo… mas já sabia que a gosminha era pra ser tirada junto, então o prato não ficou aguado.
OK, tampouco era mentira que as cebolas deveriam ser fatiadas, não picadas… mas fazendo-o grosseiramente nem deu tempo de me irritarem os olhos, então no mínimo eu aprendi alguma coisa pra uma próxima vez.
OK, OK… esqueci de temperar e botar salsinha (salsa) e azeite sobre a primeira camada… e meu refratário era menor do que o tamanho da receita (duas batatas grandes em vez de três teriam resolvido)… e o meu forno é um tanto fraco, me parece, e os 10 minutos a 220° só funcionaram com mais 10 minutos a 250° (segundo a marcação)… mas eu QUERIA fazer tudo SOZINHO, então fiz!

Sem ajuda, sem palpite, sem cuidado. Pra ver se eu conseguia. Pra ver onde eu erraria. Pra fazer melhor, depois, sozinho ou com alguém.

E ficou bem bom!

Acontece que nem tudo na vida é culinária. Nem sempre o melhor é tentar sozinho e não há vergonha nenhuma nisso. Inclusive, desta maneira — mostrando nossos fracassos, fragilidades, carências — é que estabelecemos as relações mais fortes com aqueles que nos cercam. Também não é vergonha pedir ajuda a profissionais qualificados, experientes, quando só carinho e boa intenção não resolvem.

O que eu queria mesmo dizer é que Desconheço o desespero que enfrentava o Chester — mas sei que a coisa toda pode ficar insuportável!

Contudo, enquanto não fica, vem cozinhar comigo.

)

    Eduardo de Souza Caxa

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