Candidato, chega de panfletinhos nas ruas!

Uma análise rápida sobre o papel da comunicação digital nas eleições municipais

Que tempos curiosos são esses, não? Quando entramos no YouTube vemos adolescentes de quinze anos de idade fazendo vídeos maravilhosos com um celular barato e um computador velho. Jovens fazem sites para publicar suas ideias com o esmero de quem realiza o trabalho que representa o sentido da própria vida. Com tão pouco, alcançam milhões.

Entretanto, quando analisamos a comunicação de um político, ou candidato, que dispõe de centenas de milhares de reais para organizar suas campanhas, nos sentimos de volta ao século passado.

Os custos de produção desta maravilhosa campanha para a Nike provavelmente são menores do que o gasto médio dos vereadores da minha cidade com material impresso.

Um dia desses, chegando à faculdade, recebi, só na calçada do prédio principal, panfletos de três candidatos diferentes. Segurei os papéis e sorri para todos os panfleteiros que me entregaram, apenas para, mais à frente, jogar todos na primeira lixeira que encontrei.

Quando os joguei, percebi que a lata estava cheia até a boca com os mesmos encartes. Qual o sentido de gastar tanto dinheiro com algo que será descartado, muitas vezes sem sequer ser lido, nos próximos dez segundos? Não sei. Creio que esse budget poderia ser muito melhor investido, de outro jeito.

Fala, candidato! Beleza? Olha seu dinheiro aí, pra onde foi!

Em meu último texto fiz uma citação do filósofo Roger Scruton em que era tratado o tema da preservação ambiental:

“Obviamente, é verdade que os grandes agentes externalizam os custos sempre que podem. Assim como nós.”

Neste caso, os agentes (que são os mesmos candidatos que juram orientar seu mandato de modo que possam tornar nossa vida melhor) externalizam os custos ambientais diretamente para os próprios eleitores. Isso é um absurdo!

A tecnologia está de portas abertas para mudar essa realidade. Hoje, não somente é dispensável gastar montanhas de dinheiro com campanhas, como também é possível realizar um trabalho ecologicamente correto de divulgação. Entretanto, será que um político pode ter uma boa repercussão online e um bom tráfego orgânico? Será que ele consegue votos com isso? Vamos dar uma olhada rápida em um caso curioso:


Professor Kenny e Paulo Alexandre Barbosa

Professor Kenny, popular entre estudantes e jovens, é um exemplo de um bom case em redes sociais. O vereador de Santos, no momento em que este artigo é escrito, tem 75 mil seguidores em sua página no Facebook.

Eu já fui aluno do Kenny e posso afirmar que ele é tão bacana pessoalmente quanto é nas redes sociais.

Paulo Alexandre Barbosa, prefeito de Santos e candidato à reeleição, que provavelmente ocorrerá no primeiro turno, tem 81 mil seguidores.

Veja, estamos falando das redes sociais de um prefeito que tem, segundo as pesquisas, 57% das intenções de votos, e de um vereador, eleito com 1.41%, ambos da mesma cidade.

Não fosse surpreendente o fato de um vereador ter quase o mesmo número de curtidas em sua página que o prefeito, vamos dar uma olhada nos últimos cinco posts de ambos:

Professor Kenny, que possui uma gestão de mídias sociais mais ativa, criativa e com personalidade, teve posts com 222, 1141, 207, 309 e 589 curtidas. Com destaque ao timing post do “PowerPoint do Lula”. Boa!

Na mosca.

Paulo Alexandre Barbosa, prefeito da cidade, tem posts com 407, 88, 171, 252 e 105 curtidas.

A personalidade da comunicação do Professor Kenny dá a ele uma vantagem grande em relação ao colega de partido. Principalmente se levarmos em consideração que o vereador se elegeu com 3376 votos, 1.41%, em 2012.

Carina Vitral

Estou escrevendo aqui sobre dois candidatos populares que se comunicam pela web. Mas e se avaliarmos um candidato que não tem um décimo das intenções de voto, mas faz um bom serviço de produção e edição de imagens e vídeos?

Esse é o caso de Carina Vitral, seguida por 55 mil pessoas. Seus últimos cinco posts tiveram 19, 48, 76, 78 e 47 curtidas.

Sim, é verdade que Carina Vitral tem menos alcance nas redes sociais do que eu em meus melhores dias, mas se analisar a proporção “intenções de votos” x “tráfego orgânico”, ela possui um bom desempenho.


Ainda que essa tenha sido uma análise rápida, ver cases de sucesso como o do Professor Kenny me faz ponderar: será que não está na hora dos candidatos começarem a migrar do modelo em que gastam centenas de milhares de reais com panfletos, carros de som e propagandas em rádio, para o modelo em que investem uma quantia muito menor em desenvolvedores de sites, criadores de conteúdo digital, ou jovens editores de vídeos?

É de se pensar.