Meu modelo de estudos para a autoeducação

Fiquei muito tempo sem escrever, é verdade, mas por um bom motivo: estava aprimorando meus conhecimentos. Alguns livros lidos depois — muitos simultaneamente — o conhecimento já está todo bagunçado em minha cabeça: geralmente já esqueci da maior parte das informações do livro anterior quando começo o atual.

Em razão dessa facilidade de esquecer conceitos — muitas vezes importantes — comecei a pensar em meios de registrar meus estudos. Sou maníaco por organização e não suporto ver papéis largados, mas tenho grande necessidade em escrever (em papel, não pelo computador) para gravar permanentemente informações. De qualquer maneira, optei pela organização: segundo recomendação do professor Rafael Nogueira, comecei a usar o Evernote, um programa para registrar anotações e informações online, e desenvolvi meu próprio método de registro de estudos.

Compartilharei esse método, mas lembro que ele está em “fase de desenvolvimento”, e pode (provavelmente vai) mudar e se adequar com o tempo: cada situação exige um método diferente, mas podemos começar por um ponto genérico. No Evernote, criei um “caderno” chamado Caixa de Entrada. Nele coloco todas as minhas anotações em fase de escrita, para depois organizá-las por seção. Como o foco do artigo não é o uso do Evernote e sim o registro dos estudos, prosseguirei para meu método pessoal. Lembrando que isso não é uma regra e que o Evernote não é necessário.

Eu divido meus documentos de estudos nas seguintes seções:

Parte 1:

Sinopse da obra;

Informações técnicas da obra;

Status quaestionis.

Parte 2:

Detalhes oficiais sobre o autor;

Conhecimentos que já possuo sobre o mesmo;

Motivações para o estudo da obra;

Valor agregado por este estudo.

Parte 3:

Meu resumo e anotações sobre a obra;

Conteúdo externo;

Meus futuros estudos sobre o tema;

Citações retiradas da obra.

Essa divisão em “partes” não é aplicada no documento, é apenas uma forma didática de apresentá-lo. Abaixo a explicação de cada seção:

Sinopse da obra

Aqui eu anoto a sinopse oficial do meu objeto de estudo, seja ele um livro, um documentário, um filme. Temos que conhecer o máximo possível sobre o que estudamos, e a sinopse oficial é, para mim, um ótimo ponto inicial.

Informações técnicas da obra

Para fins de contexto, é importante conhecermos o autor, data de lançamento e outras informações técnicas da obra estudada.

Status quaestionis

O status quaestionis é um resumo da situação atual do tema estudado. É importante, por exemplo, sabermos que aquela informação estudada já foi revista e atualizada — o que não quer dizer que ela é dispensável. Para saber mais sobre a importância do status quaestionis, leia o artigo do professor Olavo de Carvalho, “Pela restauração intelectual do Brasil”, disponível na internet.

Detalhes oficiais sobre o autor

Nessa seção é onde colocamos um “currículo oficial” (aquelas informações que você encontra na orelha de livros ou pesquisando na internet mesmo) do autor da obra. Dessa maneira, facilitamos a continuidade dos estudos quando se trata do mesmo criador.

Conhecimentos que já possuo sobre o mesmo

Nesse caso, a anotação é importante para conhecer o meu progresso, colaborando para a criação do contexto. Se já li algo sobre o autor, ou acompanhei alguma obra anterior, devo anotar aqui.

Motivações para o estudo da obra

Nenhum estudo pode acontecer por acaso, sem nenhum planejamento prévio, sem motivo. É aqui que deixo claro o motivo pelo qual estudei a obra: se precisava aprimorar meus conhecimentos na área, se é um conteúdo importante para minha vida profissional, se é uma obra conceituada sobre determinado tema. É importante que essa seção seja escrita ANTES do início do estudo da obra.

Valor agregado pelo estudo

Terminado o estudo, anoto as colaborações do mesmo em minha vida. Aqui não deve ser feito um resumo do que foi aprendido, e sim uma descrição sincera das mudanças internas causadas pelo aprender. É importante que essa seção seja escrita APÓS o término do estudo da obra.

Meu resumo e anotações sobre a obra

Aqui é onde a mágica acontece: eu escrevo todos os pontos importantes da obra de maneira resumida. Essa provavelmente será a maior seção das anotações, mas é interessante ser conciso, pois deve ser uma seção de referência rápida; se for para escrever a obra inteira, é mais prático revê-la na íntegra.

Conteúdo externo

Criei essa seção para referenciar todos os artigos, resumos e análises — produzidos por outrem — que encontrar sobre a obra. Conteúdo opcional.

Meus futuros estudos sobre o tema

Se dediquei meu tempo para realizar esse estudo, havia um motivo (descrito anteriormente nas próprias anotações). Sempre há um próximo passo, e é aqui que ele é definido. Se lerei outro livro sobre o tema, descrevo-o aqui. Essa seção é importante para nunca perder o foco!

Citações retiradas da obra

Como gosto de guardar as melhores citações que consigo das obras que estudo, defini essa seção final como parte importantíssima. As citações estão sempre organizadas por autores, em ordem alfabética. Sabe como é: ao invés de procurar frases de autores famosos na internet, leia seus livros e encontre-as você mesmo!

Durante muito tempo resisti ao hábito de anotar, mas chega uma hora em que se torna impossível prosseguir com total aproveitamento sem adotar a técnica. Espero que meu modelo de estudos possa inspirar e ajudar aqueles que trilham o mesmo caminho da autoeducação liberal.

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