Pare de querer ganhar na loteria

Gostar apenas do resultado, e não do processo, está nos transformando em pessoas extremamente infelizes.

Quem não gostaria de ganhar na loteria para comprar uma bela mansão para si, não?

Eu sei o que isso parece.

Quando eu digo que não quero ganhar na loteria, devo ser visto com os mesmos olhos de quem diz que não se importa com o dinheiro: ou você me achará hipócrita, ou me achará louco.

Esclarecendo, é claro que ganhar na loteria seria ótimo. Ninguém pensaria o contrário. O problema está em querer ser rico e considerar a loteria como o único meio existente; acreditar que a glória só é possível pelo caminho mais fácil.

Preferimos depositar nossas esperanças em apostas, que têm uma chance de acerto entre 50 milhões, do que no trabalho duro. Acreditamos muito mais no bilhete premiado do que no “fazer diferente”. Isso revela muito sobre nós.

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Somos infelizes porque amamos o resultado, e não o processo. A maior parte das pessoas tem como objetivo viver a riqueza, mas não construí-la. Passamos por infernos mentais durante décadas visando alcançar um objetivo que proporcionará alguns dias de júbilo, mas cujo efeito logo passará.

Não demora muito e nos acostumamos com aquilo.
O que antes nos trazia alegria, se torna comum.
Logo surge uma ambição maior, e lá vamos nós outra vez.


Frequentemente vemos algo semelhante ocorrer, por exemplo, com a aposentadoria.

Todos conhecemos aquele senhor que odeia trabalhar, mas é obrigado a fazê-lo para sobreviver.

Diariamente ele cumpre sua rotina estressante, ansioso por não precisar mais. Trabalha com a calculadora em mãos, aguardando pelo tão sonhado dia em que quebrará suas correntes e aproveitará a liberdade de poder não fazer absolutamente nada.

Eventualmente o grande dia chega, mas algo muito estranho acontece.

Durante as primeiras semanas, ele vive o paraíso.
O sonho se torna realidade.
A vida finalmente faz sentido.

Passado algum tempo, ele começa a sentir falta do trabalho. A alegria de não fazer nada já não é tão grande assim.

O aposentado então começa a procurar tarefas para realizar em casa: pintar uma parede, consertar um eletrodoméstico quebrado, construir um móvel. Esgotados os aparelhos de casa, começa a fazer pequenos serviços para os familiares.

Ele sente que precisa fazer alguma coisa.
A saudade do trabalho bate.
Ele precisa se realocar no mercado, voltar à rotina.

Quantas pessoas assim conhecemos, não? Uma vida inteira buscando abandonar o trabalho, apenas para querer voltar logo em seguida. Muitos, inclusive, entram em depressão.

Sonhamos com a aposentadoria, mas não queremos construí-la. O trabalho se torna um fardo, e nos vemos sob a necessidade de eliminá-lo de nossas vidas. Quando conseguimos, percebemos que o problema não está em trabalhar; está em nossa visão de mundo.

A verdade é que amamos trabalhar.
O problema é que não trabalhamos no que temos amor.

E é justamente aí que o dinheiro, seja por meio do trabalho duro ou da loteria, entra. Não para nos fazer largar tudo, mas para permitir que agarremos aquilo que mais nos traz felicidade. Como diz o Mr. Money Moustache:

É muito melhor trabalhar quando você não precisa do dinheiro.

Pare de querer ganhar na loteria.
Queira construir seu próprio grande prêmio.


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