Vivendo no país do medo

A rotina de sair de casa sem saber se poderá voltar


Você precisa ir até a padaria, que fica a algumas quadras de sua casa. Olha no relógio: são oito da noite. Já escureceu, e você começa a ficar preocupado.

Não que ultimamente seja necessário estar de noite para que sua vida esteja em risco ao andar por nossas ruas, mas o horário avançado representa um fator de risco a mais. Você toma coragem e sai de casa, sem deixar de olhar regularmente para trás, tentando localizar alguém em atitude suspeita.

Infelizmente esse comportamento virou rotineiro para o brasileiro. Não deveríamos, mas vivemos em um constante regime de atenção e pessimismo. Todos os dias somos bombardeados por notícias de crimes violentos, assaltos, sequestros, abusos e toda sorte de crueldades.

Para se ter uma ideia de como nossa situação é anormal, basta analisar os números: o Brasil tem, em média, 55 mil homicídios anualmente, com algumas fontes citando 60 mil. Os EUA, considerados um país razoavelmente violento, possuem taxas que não chegam à metade desse valor, mesmo com uma população que representa quase o dobro do tamanho da nossa.

Dividindo nossas estatísticas anuais por um período de 365 dias, temos mais de 160 homicídios por dia. Isso sem contar as mortes no trânsito, os assaltos, os sequestros, as ameaças e a violência em geral. Você já parou para pensar no quão absurdo é esse número? Como pode um indivíduo ter motivação para construir seus laços familiares e profissionais em um terreno tão hostil?

Realmente, não é fácil ser brasileiro. Recentemente os jornais divulgaram as emigrações em massa de nosso povo para os países da América do Norte e Europa, assim como as desistências de diversos empreendedores que, cansados com as excessivas dificuldades encontradas por aqui, resolvem tentar a vida em outro lugar.

Enquanto a administração de nosso país não procura caminhos para fortalecer a segurança pública e para mudar nossa história por meio de uma eficiente reforma educacional, não restam muitas opções — para o indivíduo que quer uma vida digna — além de procurar uma nação mais acolhedora, que dê mais valor à sua vida.


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