O Mercado das Flores (parte 2)
E então a bolha estourou…
Os fatores que causaram o estouro da bolha das tulipas são variados. Uma sucessão de problemas desmoronou todo um mercado, a começar pela queda da demanda. Uma vez que a elite européia já havia saciado seu desejo pelas flores, não havia mais razão para dar tanto valor a uma simples planta. O número de compradores caiu, puxando para baixo os preços. Lei da oferta e procura.
Como se a baixa demanda não fosse ruim o suficiente para o mercado, fraudes foram descobertas: floristas vendiam mais contratos do que a quantidade de bulbos que possuíam em estoque.
O problema ia ainda além: como o Semper Augustus é um vírus raro que só se manifesta quando a tulipa floresce, é impossível determinar qual planta está infectada quando ainda é um bulbo. Os floristas, desconhecendo a informação, venderam milhares de tulipas normais a preço de Semper Augustus.
Não é preciso ter muita imaginação para prever o que aconteceu: o mercado de tulipas faliu em fevereiro de 1637, levando os especuladores para o vermelho.
Pagando pela histeria
O governo tentou intervir. Desnecessário dizer que não deu certo. Mesmo com a proposta estatal de garantir 10% de todos os contratos, os preços derreteram.
Muitos haviam vendido a própria casa para investir em um negócio tão lucrativo, e agora não tinham mais nada. Qualquer semelhança com os especuladores que confiaram demais em Eike Batista é mera coincidência.
A economia demorou décadas para voltar ao normal e o episódio marcou a história do país. Moral da história? Nunca coloque todos os ovos em uma única cesta, por mais incrível que ela pareça.
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