Game no CreativeMornings

Na edição de abril do CreativeMornings, tivemos as palavras inspiradoras de Edgard Gouveia Júnior.

O CreativeMornings é uma série de encontros com café da manhã para pessoas criativas se encontrarem e discutirem sobre assuntos interessantes. Os encontros acontecem em mais de cem cidades ao redor do mundo, todas com o mesmo tema.

O desse mês de abril foi Game e o palestrante convidado foi Edgard Gouveia Júnior, que não se cansa de colocar as pessoas para brincar. Arquiteto e Urbanista e Pós Graduado em Jogos Cooperativos, ele dedica sua trajetória a mobilizar crianças, jovens e adultos, desenhando e aplicando jogos virtuais, gincanas e ações coletivas que desembocam em pequenas revoluções comunitárias. É co-fundador do Instituto Elos, do Programa Guerreiros sem Armas e do Jogo Oasis. Fellow Ashoka, Berkana Exchange e TRIP Transformadores, Professor da Pós em Jogos Cooperativos, do Youth Initiative Program e MSLS na Suécia e Knowmads na Holanda e da Formação Gaia Brasília e Paraná.

Palestrante em diversos TEDx e consultor internacional na Europa, América do Norte e Ásia, onde aplica tecnologias sociais como World Café, Open Space, Danças Circulares, Comunicação não Violenta e Jogo Oasis. É idealizador do Play The Call, uma gincana mundial online que tem tarefas concretas no mundo real e pretende envolver 2 bilhōes de pessoas em quatro anos para restaurar o equilíbrio na Biosfera. Ele acredita que mudar o mundo pode ser rápido, divertido e sem botar a mão no bolso.

O encontro ocorreu no InovaBra Habitat, um espaço pertencente ao Bradesco, cujo objetivo é abrigar empresas, startups, investidores, mentores e empreendedores para gerar novos negócios e buscar soluções inovadoras com base no networking e na colaboração.

Essa foi a primeira vez que participei de um encontro do CreativeMornings.

Estava lá eu, portanto, num prédio com uma infraestrutura incrível, com um café da manhã delicioso e cercado de inúmeras pessoas falantes, criativas e divertidas.

Aquele com certeza não era meu habitat natural.

Sorte minha que os organizadores do evento sabem da existência de pessoas introvertidas e nos obrigam, de um jeito educado e descontraído, a nos enturmar.

Depois de um bate papo legal, acabei sentado em uma mesa, cuja concentração de “Eduardos” por metro quadrado, além de não ser a indicada pela OMS, provavelmente bateu algum tipo de recorde. Éramos cinco, por coincidência, todos um ao lado do outro.

Logo era chegada a hora das apresentações.

Começamos com a música do encontro passado, “Chegada é caminho”, executada por Cris Magno.

Então tivemos o prazer de ouvir sua criação original para o tema do mês, cujo título era “Viro o jogo”.

E chegou a vez do palestrante.

Edgard revelou-se uma pessoa extremamente descontraída e de muito bom humor, características não só admiráveis, mas praticamente obrigatórias quando se deseja cativar uma plateia.

Ele, desde o início, se autointitulou como um alto falante, o que se provou verdadeiro, considerando seus dois metros de altura e o fato de ter estourado seu tempo de palestra em meia hora (a pedido do público, vale notar).

Edgard começou nos contando sobre sua infância e sobre como ele viu coisas que o fizeram questionar sua fé nos seres humanos. Provavelmente muita gente pode dizer que já sentiu o mesmo. Aquele momento em que pensamos o quão injusto o mundo pode ser com outras pessoas ou com o meio ambiente, e o quão impotentes somos para mudá-lo. Pensando nisso, Edgard chegou a uma solução: matar todos os humanos do planeta.

Simples, não é?

Eu também já pensei assim quando era criança. Felizmente para nossa espécie o meu raio da morte não funcionou e Edgard, por sua vez, encontrou uma solução ainda melhor.

Aconteceu durante uma gincana em sua cidade, quando ele tinha 12 anos. E quando nos falou de gincana, ele não quis dizer essas gincaninhas de escola, com meia dúzia de moleques e mais dois pais desanimados fingindo gostar daquilo. Ele estava falando de uma gincana que englobava a cidade inteira. Centenas de pessoas se reunindo com um objetivo em mente: se divertir.

A prova da gincana era a seguinte: trazer um elefante de verdade e que fosse cor-de-rosa, em três horas.

“Impossível!”, você pode pensar.

Com certeza foi o que Edgard pensou, mas ele logo aprendeu que, por mais que fosse inteligente, ainda não era capaz de compreender a Teoria Geral da Matemática aplicada em Gincanas.

Pois, veja bem: se você somar o circo que estava na cidade na época, mais um caminhão emprestado de um tio qualquer, mais uma lata de tinta cor-de-rosa de outra tia arbitrária, mais algumas dezenas de pessoas com mais energia do que eu mesmo se tivesse café correndo em minhas veias ao invés de sangue, isso resulta em um elefante de verdade cor-de-rosa.

O que Edgard aprendeu ali foi algo que levaria para a vida: se nos juntarmos, tudo é possível.

O problema é que a maioria das pessoas não quer, ou não tem tempo, ou não tem dinheiro para fazer isso simplesmente para melhorar o mundo. Mas se colocarmos a palavra gincana no meio…

Edgard então pensou em uma solução que pudesse ser três coisas: rápida, divertida e onde ninguém precisasse colocar a mão no bolso.

A oportunidade surgiu em 2008 durante um dos maiores desastres naturais de Santa Catarina, quando enchentes alagaram cidades inteiras e deixaram milhares de desabrigados.

Edgard e mais quatro universitários criaram o Oasis, um game que reuniu centenas de pessoas com o mesmo objetivo: trazer de volta a alegria de viver para o estado desamparado. O jogo explodiu na mídia e recebeu ajuda até de onde não se esperava, como da São Paulo Fashion Week e o incentivo de Flávia Alessandra e seu marido, Otaviano Costa.

No total foram erguidas 45 construções comunitárias para realizar os sonhos das pessoas, entre elas: pontes, casinhas na árvore, pistas de MotoCross, campos de futebol etc.

Após o final do jogo em Santa Catarina, no próximo ano, surgiram mais de 90 Oasis espalhados por todo o mundo.

Com o mesmo objetivo, foi criado também o X-Lab, uma jornada gamificada que reúne jovens com o propósito de melhorar as comunidades onde vivem, sempre com o mesmo lema: rápido, divertido e sem colocar a mão no bolso. Aqueles que desejam participar precisam juntar sua equipe de super-heróis, se cadastrar e então receber a profecia e regras que regem essa liga para o bem.

Após essa palestra incrível, ainda cantamos parabéns, pois o CreativeMornings SPO completava 2 anos sendo gerenciado pela host, Mariana Camardelli, e, não menos importante, comemos bolo.

E então, depois dessa manhã memorável, posso dizer que com certeza essa não foi a última vez que irei participar do CreativeMornings.


Este texto foi um registro narrativo da palestra de Edgar Gouveia Júnior no CreativeMornings São Paulo. Para conhecer e participar dos encontros do CreativeMornings em São Paulo, você pode seguir a página no Facebook, assinar a newsletter do site do CreativeMornings São Paulo e ver as fotos no Flicker!