É só um texto, mas

‘Mas’. Conjunção Adversativa. Pode indicar oposição ou restrição de ideias. Vem para mostrar que algo ainda não foi dito. O ‘mas’ é o diagnóstico que, abraçado com a vírgula, corta a esperança e traz a realidade. Vírgulas… são outros seres contraditórios, mas isso é papo para outra hora. Agora, quero falar do ‘mas’, não deixe que ele mude o assunto. Às vezes ele gosta de vir para desviar a atenção.

‘Mas’. Lá vem ele abrir o espaço, discordar, gerar intriga entre as palavras. Se opor ao que já foi dito, ao que já existe. Ou existiu. Que se o ‘mas’ é o presente, o que veio antes é passado, certo? E a gente pode até tenta mudar esse lance de tempo, mas logo vem um verbo para lembrar que somos temporais e estamos presos nessa linearidade do que foi, do que é e do que será. Talvez o ‘mas’ seja cúmplice dos verbos. Pode ser.

‘Mas’. Fico pensando, que peso carrega essas três letras que se uniram para ligar orações que se contradizem. O ‘mas’ devia vir sempre acompanhado de algum tipo de conjunção explicativa ou conclusiva. Chego a acreditar que existe uma certa rincha entre as conjunções: o‘mas’ vem, traz o caos, e ficamos aguardado algum “assim”, “por isso” ou “porque”… e elas teimam em não aparecer.

E aí fica difícil pro coração se entender com essa revolução das palavras.

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