Curtinha — Anfitriã

Sempre que chegava alguém, ela arrumava a casa. Começava abrindo espaço no sofá para mais um. Depois, ajeitava a decoração para que combinasse com o hóspede. Toda vez que alguém chegava, ela fazia e refazia todo o ritual. Trocava os móveis de lugar, mudava as cores da parede e o lado da cama. Acontecia que em algum momento ela não reconhecia mais o lar, toda a arrumação se tornava uma bagunça onde ela não se encontrava. Então, deixava a casa. Um dia, desgastada de todo o processo, resolveu não mexer na decoração. Daí em diante, sempre que chegava alguém, ela mostrava a casa in natura. Cabia a alguém querer ou não ficar por lá.

E ela carregava a felicidade de ter se tornado anfitriã dela mesmo.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.