Sobre despedidas

Despedidas doem. Aquele adeus dado que pode carregar tantos significados: vírgulas, pontos finais, reticências…

Tem hora que chega a dar raiva das letras por formarem palavras como: tchau. ‘Tchau’ é daquelas palavrinhas danadas a terem transtorno de personalidade. Devia vir no dicionário que ele nunca anda sozinho e que devemos tomar cuidado. Vez ou outra, ele carrega a tristeza como companhia. Tem hora que resolve dar as mãos para um até logo que vem junto com borboletas no estômago. Quando dá na telha, se junta com o alívio para fazer uma revolução.

Eu tenho tentado conviver com esses distúrbios do tchau. Alguns parecem mais difíceis que outros. Despedir de um ente querido é daqueles que matam por dentro. Faz lembrar do tempo e de como somos passageiros. Nessas horas, uma vírgula vem tomar o seu lugar em uma história que o enredo parece incompleto, mas que, mesmo que separados, o personagem ainda te acompanha.

Quando é um amor bom, dos que enche a memória de alegria, vai bem uma reticência: você sabe o caminho, mas tem forma livre. Tem hora que prefiro esse tal de deixa assim subentendido. Sabe a história de Woody Allen de que só um amor incompleto pode ser romântico? Aqui é bom um pouco de espaço para as palavras correrem, dançarem com algumas lembranças e adormecerem suaves no adeus.

Mas gosto mesmo é daquele tchau danado que chega com tudo para agitar a vida. Que vem como faca te soltar do que te prende. Te tira do eixo, te faz virar de ponta cabeça e coloca um ponto final no que já não te satisfaz. Para esses, guardo o mais forte de mim: essa vontade louca de descobrir e ser mais.

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