Anomalia temporal

Às vezes é difícil resistir a um cigarro, sendo não fumante. Fica a dúvida: é o stress?, é o álcool?, é a vontade de me destruir ainda que aos poucos? Podem ser todos ao mesmo tempo. Pode até ser o gosto amargo da fumaça que traz lembranças doces. Doces? Não, a ideia era doce, a lembrança também é amarga, queima meus pulmões e por um momento baixa minha pressão. Sinto-me alta, como quando estava com… deixa para lá.

A garoa cai e o tempo parece ficar lento. O ônibus não chega, a mensagem não é enviada, a música ainda é a mesma. Cinco dias que foram três, vivi duas semanas em apenas cinco dias. Será que envelheci com essa anomalia temporal? Apenas o cigarro continua queimando na minha mão, na minha garganta, nos meus pulmões. O pior ainda são as palavras que giram aqui e ali, são sentimentos novos ou memórias? São as mensagens de texto? O ônibus não passa e mesmo assim me encontro em outras ruas, em alta velocidade. Borrões ligeiramente distintos, sinto até náuseas. O cigarro acaba. Não acendo outro.

A single golf clap? Or a long standing ovation?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.