Depressão

Foram anos achando que toda a energia era sugada pela depressão. Se houvesse prestado atenção antes, saberia que a vontade de sair da cama e existir foram esgotadas em outro período. Depressão é tudo o que sobra. É acordar e pensar, por que ainda estou viva? E durante o dia continuar com o desejo de morte. Às vezes algumas paisagem tomam conta. Isolação total, sem deixar bilhete, sem deixar aviso, apagar todas as redes sociais, comprar quinze maços de cigarro e fugir. É fácil pensar que ninguém vai nem sentir falta. Vai ficar tudo bem, para os outros.

Questionamentos que sufocam a garganta com ansiedade. É esse o caminho certo? É assim que se faz? Deve estar errado. Sempre está errado. Não tem porque tentar, mas se já desistiu é porque realmente não merece, não merece nada, nem mesmo o anonimato de um artista amador. Chame do que quiser, a definição perfeita sempre vai ser medíocre.

O estômago embrulha. Um dia sem comer, só tomando café. Dois, três dias. Aos poucos a higiene pessoal também perde a importância. Vozes suaves sussurram todas os erros cometido contra pessoas amadas, pessoas que acreditaram. Como se houvessem mãos invisíveis apertando a garganta, os soluços são inaudíveis, os pulmões se afogam com as lágrimas engolidas. Já não basta sofrer, ninguém mais precisa saber. A vontade de acabar com tudo de uma vez cresce. Mais erros. Mais paisagens de isolamento. O celular tem ligações perdidas e mensagens ignoradas. Como alguém consegue se preocupar com uma pessoa tão insignificante, mesquinha, egoísta, ignorante? Se acabar com tudo, eles vão ficar bem. Vai ficar tudo bem. As lágrimas secam. Se pudesse dormir, as horas passariam mais rápido, mas o sono não vem com a noite. Fica só a fome, brigando com uma vontade imensa de vomitar.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.