Epanastasi
Se o galo canta? Cantou!
Mas apenas um ou outro levantou.
Muitos diziam não há motivo
E lá deitados sem se preocupar, nem preocupou.
Alguns poucos cruzaram as portas
De frente à rua caminhando… caminhou
Decidiram mesmo em poucos continuar
Dor, cansaço, lagrimas e brilho no olhar
Chegou nove horas,
um ou outro quis acordar,
Olhou para os tantos
e se pôs a trabalhar
Muitos ainda deitados
fatigados pelos lençóis quentes e amassados
De longe, entre sonhos, em suas camas riam
E apoiavam os que destruíam, os que humilhavam
A hora avançou
Um ou outro se levantou
Mais braços seguravam bandeiras, cantavam!
E diante de todo o futuro? Caminhavam!
Mas a casa tremeu
O velho grupo que desde cedo caminhava
continuou com o sonho
e a todos convocava
Romperam a melodia das músicas
as armas com seus robôs, zumbiam
violentado o sonho dos caminheiros
atiravam… atiravam… atiravam…
O sangue escorreu… vermelho…
a agressão na pele… vermelho…
os olhos chorosos… vermelhos…
a bandeira a frente… vermelho…
As dezoito horas, um susto!
um grande grupo se levantou
correu, rompeu as portas
e como nunca gritou
Anunciaram o amanhecer
Diante do anoitecer
Contavam uma nova história nova
que de todos os cantos o sol havia rompido!
Exigiram silencio dos que tanto cantavam
uma multidão desconhecida… Agora caminhavam
mas nenhum canto novo ecoou
apenas um silencio falado se espalhou
O medo da escuridão se anunciou
E, de longe, quando tudo parecia perdido
uma rosa vermelha a frente o caminho abriu
mão dados, braços unidos, mais que um grito… um rugido!
tão estrondoso que as armas e tantos vidros… quebrou!
Uma marcha de gente em tantas cores impossíveis de medir
tantas cores, bandeiras e canções romperam o medo e a escuridão
uma gente sem medo que o preço da mudança quer pagar
muito mais que o silencio… uma força devastadora a se propagar
Destruindo tudo o que não se quer
caminhando forte uma marcha firme e livre
impôs a sua vontade, a sua virtude
um novo mundo, uma nova nação, uma revolução!
A noite vencida e o sol de fato em alvorada
agora o mal que se espreitava em silêncio junto ao caminhar
destruído, vencido… braços dados a cantar!
e o grito de plena liberdade a nos guiar.
Texto escrito em 2013
