Osman Rana

à meia-luz

tudo à meia-luz fica melhor
a banda no palco
os fogos no céu
seus passos no corredor
que não sei se chegam ou se vão
a porta se fechando
que não deve se abrir
que não deve fechar
tudo à meia-luz fica maior
o sol do meio dia
o que a gente sente a sós
o que a gente diz pro outro ouvir
enquanto desembaraçamos os nós
dos cabelos
e à meia-luz a gente não sabe
se tudo está iluminado pela escuridão
se tudo está escurecido pela claridade
e por não sabermos
não acendemos as lâmpadas
nem abrimos as janelas
porque tudo fica melhor
e tudo fica mais claro
à meia-luz
e nada parece vir à tona
porque a superfície e a profundeza
são as duas a mesma coisa
e estão as duas no mesmo lugar
aqui e agora

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