Como seria um governo Temer, ou: De como seis não é meia dúzia

Todo exercício de futurologia está fadado ao erro no nascimento, mas o passado nos dá pistas sobre o futuro. Vamos lá.

Temer, é claro, não transformará fundamentalmente o jogo da política nacional. O estamento burocrático e o massacre do povo continuarão a passar muito bem, como nos últimos séculos. Eu também não colocaria a mão no fogo pela honestidade dele, como aliás pela de político nenhum. Mas o grau de consequências nefastas para a população geradas pelo jogo é altamente variável, como a diferença entre a manter uma vaca viva para roubar-lhe o leite e tentar extrair-lhe o que não tem até matá-la.

Quando Itamar Franco assumiu o governo, o PIB era negativo, a inflação era galopante e a poupança estava bloqueada. Quando deixou o governo, a inflação estava sob controle, o PIB crescia e o Plano Real levava prosperidade ao Brasil inteiro. Com Temer, que é muito melhor que Itamar, não será diferente.

Quando o vice-presidente assume em uma situação de crise profunda, as condições lhe são mais favoráveis do que as de um presidente eleito. A sociedade é mais tolerante, o loteamento de cargos é parcialmente suspenso e a disputa política é mitigada. Para implantar o Plano Real, por exemplo, foi necessário adotar medidas recessivas, como o aumento generalizado de impostos, que não seriam aceitas em um contexto normal.

Os brasileiros sabem que o país foi destruído, que a economia está em frangalhos, que será preciso realizar reformas profundas e dolorosas, que, nas palavras de Armínio Fraga, “precisa dar uma parada, abrir a caixa-preta do Estado e zerar o jogo.” Com o período de carência concedido pela população e o apoio do PMDB e dos partidos hoje de oposição, Temer será capaz de realizar as reformas de que o país necessita para não entrar em colapso. Não há quem ignore em Brasília ou no mercado que o ministro da Fazenda de Temer será Mansueto de Almeida, autor do artigo* que expõe o panorama tenebroso à espera da economia brasileira nas próximas décadas e propõe soluções para modificá-lo. Almeida é o homem certo para fazer o que precisa ser feito e terá as condições políticas adequadas para fazê-lo. Mitigado temporariamente o leilão de cargos em prol de um governo de emergência, o restante da equipe de Temer será também composto por nomes técnicos e sérios. Especula-se, por exemplo, o nome de Ayres Britto para a Justiça.

Além disso, haverá a figura do presidente. Temer é um homem sério, moderado, responsável e frio, que jamais diz uma palavra sem calcular seu efeito. É professor, jurista respeitado, autor de um dos livros mais usados de Direito Constitucional. Com ele, o clima de bagunça e amadorismo que marca atualmente o governo brasileiro será eliminado. Finalmente, o Brasil parecerá administrado por alguém confiável. Aliada às medidas que adotará, a postura do presidente fará com que a desconfiança da população, dos investidores e dos estrangeiros se dissipe, o que já é metade do caminho para a superação da crise econômica.

E Marcela Temer.

A alternativa é Dilma Rousseff se arrastar de tragédia em tragédia, preocupada unicamente com a manutenção do próprio mandato, pelos próximos três anos. O que você prefere?

* Resumo do Geraldo Samor e link para a íntegra: http://veja.abril.com.br/…/o-paper-sobre-economia-que-esta…/

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