Eu já não me afogo mais.

Desde muito novos fomos ensinados a correr atrás daquilo que almejamos.

Ambição. Antes nem conhecia a palavra nem seu significado, anos depois passei a tê-la como minha meta para a vida: Só irei conquistar aquilo que quero, se eu realmente quiser e correr atrás. Senão, é fogo de palha. Com certos relacionamentos isso não é diferente, é possível apaixonar-se milhares de vezes em um curto período, por milhares de pessoas diferentes.

Mas há momentos que você quer aquilo mais do que nunca, e por fim, quando você finalmente chega lá, você se entrega. Se entrega de corpo, de alma, de joelhos ou de cabeça pra baixo. Você apenas doa tudo seu para o tudo de alguém. Mas nem sempre, esse alguém saberia lidar com tanto sentimento assim. E foi exatamente assim que tudo aconteceu.

Eu me apaixonei, como todo mundo se apaixona. Eu senti o frio na barriga toda a vez que o celular tocava. Eu vi nele uma chance de nunca mais me sentir sozinha, e talvez seja esse o motivo de ter me apegado em tão pouco tempo.

Eu esperava ansiosamente pelas ligações. Ficava com o celular do lado, aguardando ele ligar. Até que ele deixou de ligar, e eu tive que lidar com a sensação de estar perdendo alguém.

Eu também não entendia as cobranças e as proibições. Ele já não me liagava mais, já não demonstrava tanto. Não entendia porque não podia ser amiga dos amigos dele, nem porque ele inventava mil desculpas para não me ver, mas literalmente, me rebaixava por não ir vê-lo. Me sentia insuficiente. A culpa de tudo ter desandado era minha.

Não entendia porque ele nunca me apresentou para ninguém, seus pais, sua família e amigos. Ele sempre me escondeu.

Não entendia como conseguia inverter as situações. Como e porque eu era a louca, se foi ele quem começou a brigar?

Eu tive que aprender a ficar calada também. Eu era inferior, e eu acreditava nisso. Eu nunca seria nada sem ele, e se ele me deixasse, eu ficaria sozinha para sempre. E infelizmente, o silêncio e a solidão voltaram a ser a minha sombra, mesmo ele prometendo que eu nunca mais teria que me sentir assim novamente.

Até que ele voltou a me ligar. Mandava milhares de mensagens, me elogiava, dizia que ia me ver. Me prometia e me enchia de esperança, e lá estava eu, feliz por tê-lo de volta pra mim. E todos me diziam que aquilo não estava certo, quase me imploravam para deixa-lo e seguir minha vida, pois mais valia estar sozinha do que acompanhada de alguém que abusava de mim psicologicamente e eu não tinha a menor noção. Eu custei a perceber que a culpa não era minha.

Muita lágrima rolou até eu me decidir, decidir que nunca mais o queria na minha vida. E deu certo? Ledo engano. Eu não conseguia tomar nenhuma decisão que me fizesse ficar sem ele.

Me envolvi com outras pessoas também. Mas ele sempre insistia que podia acontecer o que fosse: eu jamais encontraria alguém como ele. E eu tive muito medo de me apaixonar novamente, exatamente por ainda carregar essa possibilidade comigo. Ele tornou-se um fardo, alguém que sugava as minhas energias.

Eu vivi uma montanha-russa. E não foi nada divertido.

Me vi sendo colocada nas alturas, me enchia de carinho, atenção, elogios, todas as promessas e aquilo que eu acreditava ser amor. Ao mesmo tempo que me via sozinha, aos prantos, machucada e humilhada , lá embaixo. Com muito medo.

Eu já não conseguia mais diferir o que era real e o que não era. A cada momento eu era induzida a um novo erro. E claro, sempre acreditava que tudo ia melhorar.

Ele finalmente me enlouqueceu, mas sempre dizia que a culpa era minha, e eu aumentava tudo. Perceba, ele fazia de tudo por mim, qual era o meu direito de reclamar e chorar tanto? Porque me sentia tão humilhada e usada, se ele só estava tentando me ajudar?

Com o passar do tempo minhas ambições tornaram-se outras. Eu finalmente voltei a me sentir amada por outra pessoa que não fosse ele. Mas ele ainda estava lá, eu me sentia controlada, mesmo estando em outro relacionamento.

E quando eu senti que meus pés estavam falhando, e eu não tinha mais forças para lutar contra essa situação eu dei tempo ao tempo, e fui otimista com ele. Eu só não podia cair agora, não era ele quem ia me derrubar, era eu mesma se não mantivesse os pés no chão.

Eu precisava de ajuda, e felizmente tive. Precisava de alguém para abrir meus olhos e me acordar desse sonho ruim. Eu passei a acreditar mais na minha capacidade de fazer as coisas, eu já não tinha mais comigo alguém para me desmotivar e não acreditar em mim. Eu já não sinto mais que perdi essa pessoa, na verdade, ela quem me perdeu.

E não há nada melhor do que se sentir livre!

E é com essa liberdade que venho aqui escrever este texto. E espero que talvez, de alguma forma, esse texto ajude alguém na mesma situação que um dia eu estive.

Você não precisa passar por isso sozinho. A ambição de ter alguém com você não pode ser mais forte do que o seu direito de ser feliz. Agora eu me sinto completa. Não por ter um novo alguém, e sim por saber que a única pessoa que eu preciso ter ao meu lado para ser feliz, sou eu mesma.

E mesmo depois de tudo, confesso que talvez eu ainda não saiba nadar.

Mas eu já não me afogo mais. Nunca mais.

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