O véu da noite
São Paulo - Brasil
É surpreendente ver como o homem hoje ocupa o planeta, espalhado em praticamente todos os pedaços de terra que existem e até onde há mais gelo que solo propriamente dito de onde extrai seu próprio sustento e muitas vezes para comercio.
Seja pela migração há milhares de anos atrás, fugidos de conflitos, por melhores condições financeiras ou motivado por suas crenças religiosas, o homem se espalhou com eficiência para ocupar onde pode ser ocupado e ali prosperar até que fosse necessário repetir o gesto de seus antepassados e novamente partir em direção a algum outro lugar que como no passado serviu a seus parentes distantes.
A esse ritmo de migração que fez com que culturas díspares se tocassem pela primeira vez, produziu faíscas de um intercâmbio cultural e permitiu que criações de lugares distantes chegassem a culturas vezes afastados ou mesmo isolados, que as absorveram e talvez em alguns pontos a modificou às suas necessidades e assim as incorporou à sua cultura, talvez retransmitindo-a a à mesma cultura que primeiro a utilizou dando novo sentido ao conhecimento.
Há quem diga que o fato de o homem ter, no alvorecer de sua jornada pelo planeta, se espalhado e sofisticado a ponto de modificar o ambiente ao seu redor para melhor servi-lo - somos um dos poucos seres vivos na terra que o faz para sobreviver - o que gerou a ruptura com equilíbrio que hoje nós sabemos ser tão danoso.
O que torna o mundo isso que é hoje o que vemos, é as mais diferentes formas de vermos um mesmo objeto/idéia/fato. Graças a essa multitude de formas de ponto de vistas, nascidas de interpretações morais diferentes ou culturalmente arraigadas em nós, nossas interpretações jamais passam sem que uma voz dissonante, que enxerga de um outro ângulo esteja presente.
É possivel encontrar essa diferença até em algo tão básico com por exemplo, tomar um copo de água. A quem sempre encontre diferença simplesmente em acordar e vislumbrar o tempo de modo que encaixe em suas expectativas ou não; essa multitude de diferenças é que, se é responsável por muito desententimento e atrito, também é a cola que une com convicção.
E o ser humano gasta muita energia para fazer valer - ou no mínimo deixar claro - seu ponto de vista, afinal para que serviria os advogados e diplomatas senão na pior das hipóteses aparar as arestas de pontos de vistas que podem as vezes ser diametralmente opostos? São essas divergências, quando racionalmente usadas e aplicadas, que produzem uma formidável fonte de intercâmbio de idéias onde o produto mais vistoso é geralmente, mais sabedoria.
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