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publicado em 5 agosto, 2014


E lá vem eu demorando pra escrever, hein?

Apesar de já estar planejando há alguns dias escrever algo sobre minhas experiências de Verão por aqui, vou deixar isso pra mais tarde. Acabei esbarrando com algo que praticamente me obrigou a escrever-lhes. E, apesar de estar evitando o assunto por algum tempo, já estou me atropelando nas palavras que querem sair para lhes falar sobre FÉ.

Pois é, a maioria de vocês me conhece bem e sabem que tive uma profunda experiência de fé e espiritualidade na Igreja Católica. Apesar de ser a religião dos meus pais também, cheguei nessa fé mais tarde, por outros caminhos que muitos aqui devem compartilhar. Foi essa mesma fé que me guiou nas escolhas mais importantes da minha vida, sendo sem dúvidas uma base fundamental da minha formação humana. Por isso, hoje, quando me perguntam se tenho religião, não hesito em dizer que sou católico, e se devo explicar minha ausência presencial da Igreja, me lanço a divagar sobre questões de identidade, narrativas sobre minha história, espiritualidade, e mais um monte de coisa que não vai interessar a maioria de vocês. O ponto é que meu afastamento da Igreja também foi algo pensado, e que nada tem a ver com a minha fé. Se eu pudesse colocar da forma que mais me favorece, diria que o principal motivo foi a confusão feita pela maioria das pessoas que tinha contato ali do que é realmente essencial à nossa fé e o que é acidental, produto de nosso momento histórico e, por isso, passíveis de superação como várias outras coisas que já superamos na Igreja. Se eu tivesse que colocar da forma que menos me favorece, diria que é por que eu sou um herege mesmo, e que me faltou obediência e fé, e desisti rápido demais. O que importa no final das contas, é que eu sofri com as consequências da minha decisão, e hoje, sem vivência de comunidade, minha fé não é mais tão forte e minha espiritualidade é frágil. Busco formas de melhorar esses pontos, e de quando em quando me relembro dessa parte importante de mim, que permanece presente diariamente na minha vida.

Mas enfim, vamos ao ponto, parece que eu to querendo me justificar… o ponto é que uma das principais discordâncias que tenho com a Igreja é a forma como ela trata homossexuais. E não estou falando de “mas a Igreja ama homossexuais”, a tal pastoral, estou falando da questão teológica mesmo. Acredito que a Igreja está equivocada nesse ponto, e que em breve corrigirá esse erro. Claro que o “breve” aqui pode ser visto em uma perspectiva histórica, que no caso da Igreja é bem larga mesmo… Já compartilhei isso com alguns de vocês, e se não me engano minhas palavras eram quanto ao papel que a Igreja tem (e quer ter) na sociedade, e se continuar esperando que toda a sociedade se transforme para apenas seguir a onda ao invés de ser a precursora dessas transformações (como o foi em muitos casos), seu papel nesta mesma sociedade – o tal papel pastoral, e de certa forma escatológico também – será cada vez mais menos importante.

Mais eis que me deparo com o primeiro Encontro Nacional de Católicos LGBT, e daí sai um manifesto belíssimo que dá mais um passo nessa transformação inevitável. E é isso. Além de querer mostrar essa carta, queria apenas compartilhar com vocês que hoje fiquei bem feliz lendo isso. E apesar de eu não poder dizer com orgulho que fiz parte dessa transformação, espero um dia encontrar na Igreja outra vez um lugar de transcendência.

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