Graças ao bom tempo

25 meses depois, parece que as coisas começam a voltar no lugar. Depois de quase um ano e meio de recuperação e de você me jogar na vala novamente com palavras que jamais deveriam ter sido pronunciadas, enfim, as coisas começam a se organizar. Não, ainda não há ninguém me fazendo sair do chão, também não cheguei à almejada indiferença, mas, fazendo um rápido balanço, dá para perceber a quantidade de coisas e pessoas incríveis que aconteceram comigo neste tempo.

Há muito sei que não é amor, nem saudade, mas havia uma raiva me consumindo. O sentimento era, especialmente, por uma falta de consideração. Como você bem sabe, sou e sempre serei grata aos bons momentos e apoios, mas a gratidão não era suficiente.

Eu hoje, honestamente, voltei a te desejar o melhor. Não porque sou uma excelente pessoa, mas porque minha paz interior voltou a reinar. Lembrei das minhas pernas trêmulas há exatos dois anos justamente porque tive a oportunidade de viver algo em que você não estava envolvido. Dancei com minha saia de couro na melhor balada GLS de São Paulo e viajei para locais que você nem pode imaginar.

Eu quero mais pra você e pra mim. É o mínimo que merecemos. Sobre a indiferença, começo a desconfiar que seja utopia. Eu sou seu passado. Você, por estranho que pareça, apesar da influência daqueles anos, também ficou para trás.

Finalmente entendi que quem tem que lidar com seus demônios é você. 
Vou fazer a parte que ainda me cabe: rezar.

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