Inferno particular

Aos poucos suas lembranças se tornaram cinzas, cacos, papel picado. Eu, depois de tanto tempo, não acredito em mais nada que houve entre nós. Ainda assim, sinto saudade de um passado utópico, que, assim como a infância, soa melhor na lembrança.

Uma vez assisti em alguma série um casal dizer adeus com um lamento: pena que não deu certo. Ele repetiu as palavras dela e ambos seguiram caminhos opostos. Lindo. Poético. Só que na vida real a gente acorda e ainda sente raiva, sente tristeza, busca respostas. A gente esquece a parte ruim, lembra dos bons momentos. No dia seguinte, a conversa é outra, a gente se sente a maior otária do mundo. Provavelmente é o que somos. O que sou. A gente sente saudade, busca o tal final poético, como se a angústia fosse acabar feito o ponto final do livro que tanto te fez chorar e até se apaixonar por personagens humanos, com falhas e qualidades. Eu já não tenho a pretensão de que seja recíproco, mas continuo sentindo, lembrando, apagando cores, picando fotos, na esperança de um dia sentir tudo que desejo sentir por você: indiferença.

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