Eu, senhora de mim.

Só queria prestigiar a obra poética de dona Maria Teresa Horta, mulher visionária, expoente da literatura portuguesa, e que à frente de seu tempo e ao mesmo tempo pertencente a ele, expõe em sua obra a discussão epsitêmica do eu-mulher. Este eu, marcado culturalmente por relações de submissões, sustentadas por determinismos biológicos -já que, nós enquanto mulheres, estaríamos presas a condição de nosso corpo, “adaptadas para a necessidade do óvulo ao invés de suas próprias necessidades” como pontua Beauvoir-, ganha na obra da poeta portuguesa, reflexões e tentativas de consciência de si para além do eu lírico feminino estigmatizado e sem agência.

Quando em forma de poesia, uma discussão tão complexa e por vezes dolorosa, ganha um tom mais leve e bonito... a ideia de construir-se afastada dos modelos canônicos, por mais que à priori apenas em nível de consciência, implica mesmo que de forma embrionária em libertar-se. Enfim, em tempos estranhíssimos, acho importante ressaltar a ressignificação do sujeito mulher ou pelo menos propor essa reflexão para mais mulheres.

“Regresso para mim

e de mim falo

e desdigo de mim

em reencontro” (HORTA, “Regresso”, 2009, p.301).

Aqui estão alguns poemas do livro “Minha Senhora de Mim”: https://www.lyrikline.org/pt/poemas/sou-6936

Portanto, fica aí minha sugestão de leitura!

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