Aborto e Religião
Wanju Duli
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Gostei do texto! Concordo que ver um depoimento e/ou video do procedimento é de grande valia até mesmo para posicionamento quanto a essa questão. Sobre a parte religiosa, de todas as vezes que vi discussões sobre, acredito que muito do entendimento conflituoso entre permitir ou não é que ninguém tem consenso de a partir de quando começa a Vida. Se nem mesmo a Comunidade Científica tem concordância sobre isso, imagine a Comunidade Religiosa. Se isso fosse algo que tivéssemos certeza, seria um pouco menos complicado tomar alguma atitude.

Acredito ser tão ruim condenar uma mulher que fez o aborto por pressões diversas quanto uma mulher que escolheu por livre arbítrio fazê-lo. É cruel as pessoas acharem que no caso da escolha por livre e espontânea vontade e responsabilidade a pessoa sai rindo e desfilando de felicidade depois do procedimento, que não há um peso psicológico e físico.

Outra coisa que as pessoas esquecem é que aborto tem muitos recortes e que é sim questão de saúde pública bem como econômica. Como foi abordado no texto, não adianta defender e sofrer pelas “vidas” (entre aspas porque o conceito de onde começa a Vida de um feto é extremamente relativo) intrauterinas e esquecerem das que já estão aqui fora; bem como esquecer a realidade de que essa potencial vida está fadada a passar no extrauterino; bem como esquecer de como afeta brutalmente muitas mulheres que são vidas formadas e exercidas (e isto me faz considerar absurdo o posicionamento contra o aborto em casos de violência).

Outro ponto interessante é a questão da abstinência como conselho: eu considero hipocrisia dar um conselho sem considerar a realidade em questão, só para se sentir melhor com a própria consciência. Essa questão da abstinência se interliga com outro ponto que é sobre responsabilidade. Sem querer comparar, mas exemplificando para ilustrar melhor o que quero dizer: em um dado dia, uma pessoa embrigada— sabendo de sua falta de condição para dirigir pega o carro — dirige e causa um acidente matando alguém. A Justiça entende como homicídio culposo. Mas a pessoa sabia do risco de suas ações e não será responsabilizada de acordo? Particularmente nunca entendi isso. Com a gravidez (não em casos de violência, é claro) tenho um entendimento parecido: ambas as pessoas sabiam do risco de suas ações e, de certa forma, permitir o aborto é você não responsabilisa-las de acordo. E daí vem um outro problema que as pessoas fazem questão de fechar os olhos: somente a mulher é responsabilizada quando há essa exigência de que se tenha a criança. Por fim, é uma questão de diversas nuances e ainda falta muita informação para como sociedade chegarmos a um termo que seja benefício para a maioria.

Também é importante ressaltar que a legalização do aborto não vai obrigar ninguém a abortar, bem como com a permissão (no caso da lei no Brasil) de aborto em caso de estupro e a mulher tem o direito de escolher se quer ou não, mas ninguém pode obrigá-la a fazer ou deixar de fazer. Independente do meu ou do posicionamento de qualquer pessoa, tem necessidade de se manter isso na mente coletiva.