Planejamento

Nós, brasileiros, somos miseravelmente ruins quando chamados a planejar. Planejar qualquer coisa: de hidrelétricas de bilhões de reais ao orçamento de nossas empresas. É bem provável que essa falha — algo que está nos custando caro como nação — tenha razões culturais. Afinal para que planejar se, desde os primeiros portugueses que aqui aportaram, somos vistos como uma espécie de terra prometida, onde abundam leite e mel? Pode ser também fruto de uma virtude brasileira que, mal dosada, rapidamente se transforma em maldição: somos otimistas — nosso otimismo é teimoso. Adoramos pedir calma, pois, no final, “tudo dá certo”. Adoramos acreditar que Deus é brasileiro, adoramos deixar tudo para os 45 minutos do segundo tempo, adoramos ignorar a realidade e ficar com a vontade. Claro que vontade é o motor de arranque de qualquer iniciativa, mas não vai dar para ganhar o jogo cada vez mais pesado das economias globais com técnicas de automotivação, crença no jeitinho brasileiro, premissas erradas, incapacidade para executar e — finalmente, quando nada parece resolver — grito e autocomiseração. Infelizmente, no mundo real, onde projetos saem do papel e se materializam, essa é a fórmula perfeita para tudo dar errado.

(Revista EXAME 1.050 — Fórmula para dar Errado; p.104)

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