Não Se Pressione a Ser Grande

Eky Barradas
Aug 24, 2017 · 5 min read

Abandone o “fake it ’til you make it” e sinta a grandeza de resolver pequenos problemas de pessoas próximas a você

Antes mesmo da grande visibilidade pessoal e profissional proporcionada pelas redes sociais, sempre houve um certo tabu com respeito ao empreendedor expor as próprias dificuldades e limites pessoais.

Cases de sucesso, o bilionário da vez, mentorias acessíveis — e até sites com a experiência de startups que faliram — geram a sensação de que o êxito nos negócios está acessível a todos que buscam o conhecimento sobre acertos e erros alheios e colocam a mão na massa. E está mesmo.

Algo, no entanto, talvez venha sendo esquecido: não há problema algum em começar pequeno, devagarzinho mesmo.

Fonte: Pixabay

Em geral acontece de você ser muito bom em algo específico; a partir daí, decide montar um negócio e se apresentar às pessoas como um dos representantes da sua empresa, de forma mais impessoal.

Ou seja, pode acontecer de você se esconder atrás do próprio empreendimento para dar às pessoas um ar mais “profissional”.

É como se seu negócio fosse um copo gigantesco ainda com pouca água e você fosse algumas gotas dentro desse copo.

O problema é que a cultura do “fake it until you make it”, tão disseminada no mundo empreendedor, pode fragilizar os próprios pilares do negócio que você tenta construir.

Foto: freestocks

É claro que é preciso estar preparado para passar segurança e uma boa imagem a qualquer pessoa interessada na sua solução, sem dúvida. Não é necessário apenas saber vender; temos de ser nosso melhor marqueteiro.

Desde que larguei meu trabalho no setor privado argentino para empreender no Brasil, convivo com uma enxurrada de técnicas que dão muito trabalho, mas que são apresentadas como “infalíveis” para quem quer se lançar no mercado digital.

Ampliaram-se os meios de se publicizar um negócio, o que é maravilhoso, mas parece que estamos alegremente atônitos com as possibilidades de escalar um negócio logo de cara, o que pode gerar uma pressão por ser “grande” desde o início.

“Para que me limitar a minha cidade, se posso ter o país inteiro, o mundo e o universo como clientes?”

Acontece que a gente pode se esquecer de resolver o problema de uma pessoa real ávida pela nossa solução — e que está fisicamente ao nosso lado.

Solucionar pequenos problemas das pessoas — independente da distância — deveria ser o foco de qualquer pessoa que se lança à liberdade de criar o próprio trabalho.

É muito provável que você seja bom em mais de uma coisa — sim, estamos na era das habilidades multifocais. Muitas vezes, essas habilidades se traduzem em mais de um negócio que você cria.

É o que acontece com os empreendedores seriais: são pessoas com verdadeira paixão por criar soluções em diversos ramos, mesmo que possam se atropelar com o gigantesco volume de trabalho que venha a surgir.

Foto: @gratisography

Voltando à analogia do copo com água, no caso do empreendedor serial cada copo passa a ser um empreendimento ou uma solução otimizada que você oferece às pessoas. Sua vida pode ter um, dois, três, quinze copos ou mais.

A diferença agora — e grande fonte de aprendizado para mim — é que não preciso me esconder ou ser uma mera gota contida em nenhum dos copos. Eu sou o sol.

Sim, você é o magnânimo sol que nutre e faz cair a chuva que enche cada um dos copos/empreendimentos da sua vida.

É você quem diz como cada copo vai ser conduzido.

A partir disso, você não precisa mais simplesmente copiar modelos corporativos que confundem profissionalismo com “finja que é grande até se tornar grande”. Não, é você quem dá vida e dá o tom a cada empreendimento que você cria.

O que você criou não está resolvendo o problema do cliente de forma satisfatória? É você quem dá a vazão da água que enche o seu copo. Você tem liberdade para mudar de rota porque você é o próprio sol que rege o ecossistema.

Esta reflexão é, antes de mais nada, um chamado à humildade, que às vezes se encontra adormecida em cada um de nós. Queremos dar um passo maior que as pernas achando que a escalabilidade do mundo digital vai resolver todas as nossas dores.

É fantástico ver vídeos de pessoas inspiradoras que hoje alcançaram certo grau de sucesso. Isso nos motiva e nos enche de esperança de que possamos alcançar a liberdade financeira de fazer o dinheiro trabalhar para nós — ao invés de trabalharmos para ele a vida inteira.

Faz muito sentido ler biografias e adquirir valiosos conhecimentos aplicáveis que vão muito além de títulos acadêmicos ou certificados.

O que não faz muito sentido é, na ânsia de parecermos grandes, perdermos de vista o tempo e o processo de amadurecimento pessoal que cada um de nós pode levar para se tornar um “case de sucesso” — não vou adentrar aqui o que vem a ser “sucesso” para cada um ;)

Apenas não se pressione a ser grande.

Foto: Luc Moons (https://www.pexels.com/u/lucmoons/)

Quase todos estão olhando para o marketing digital como a grande panaceia da década.

Vejo histórias de empreendedores que torram boa parte do capital em anúncios digitais, mas ficam de cabelo em pé ao verem que basta pausar a campanha e os acessos ao site praticamente cessam.

Em outra ponta, estão milhares de empreendedores investindo em conteúdo para tentar mitigar o fato de que bem menos de 5% dos usuários que acessam um site estão propensos a comprar algo.

Muitas tecnologias ainda estão por mudar, e é preciso, sim, aproveitar as oportunidades de difundir a solução que você oferece a pessoas a 2 mil km de distância ou mais. Tente apenas não colocar todos os ovos na mesma cesta digital.

Mesmo no marketing digital, são pessoas reais que estão do outro lado da tela. E é importante estar atento também às dores de clientes na sua quadra, seu bairro, sua cidade e até mesmo dentro da sua família.

Quando você desenvolve o tesão por resolver pequenos problemas de pessoas próximas, você cresce de maneira muito mais robusta, não só profissionalmente.

O resultado é toda a galáxia abrindo passagem à humilde luz do sol (você).

É que esse sol, que já é grande na essência, simplesmente resolveu ser útil à sociedade nas menores tarefas possíveis.

O multiverso — e não apenas o universo — se abre para você. Faça o teste.

)

Eky Barradas

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Co-fundador da TripleTrad Tradução Inteligente e Empreendedor Serial Aprendendo a Ter Foco.

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