Amanhã começa a Orientação em Harvard.

Tenda onde vão acontecer as atividades de Orientação — acabei de passar por lá.

Depois, pulamos direto para as aulas. Hoje é o último dia de calmaria antes da tempestade, e eu só consigo pensar em uma coisa: não fiz tudo que queria ter feito.


Café no Henrietta’s Table: ovos mexidos ❤ e meia porção de panquecas (gigantescas).

Cheguei em Cambridge com duas semanas de antecedência pra ter um pouco de tempo pra me acostumar, e acho que foi a melhor coisa que eu fiz. Por mais que pareça simples, o processo de mudança envolve um monte de coisinhas: desde comprar travesseiros e cabides até entender o que pedir de café da manhã pra não engordar 10kg em um ano, até se sentir confortável num novo ambiente e conseguir dormir normalmente (ainda estou chegando lá).

Tudo isso leva um tempo bem difícil de estimar, mas pra facilitar a nossa decisão de quando chegar aos Estados Unidos, existe um limite de tempo pra chegada de estudantes estrangeiros: podemos estar aqui a no máximo 30 dias do começo do nosso programa de estudo, não antes disso. Achei bem razoável. Pra falar a verdade, ao mesmo tempo que sinto que poderia ter feito mais, também estou bem ansiosa pelo começo das atividades, então talvez chegar muito mais cedo não seria tão boa ideia assim.

Essas semanas de adaptação foram um equilíbrio entre fazer tudo e não fazer nada: conheci gente nova, passeei pelo Harvard Square, conheci a Biblioteca Pública de Boston e o Boston Commons, fiz algumas leituras (o reitor passou 10 materiais, entre textos, vídeos e podcasts, pra irmos aquecendo para as próximas discussões — ainda não terminei, mas li a maioria) e comecei a planejar meu ano aqui.

Mesmo assim, hoje a ansiedade pesou. Tudo vai começar, e caramba, são só 9 meses, como eu não li inteiros os livros que eu baixei, ou aqueles que sempre me prometia que ia ler assim que saísse do trabalho? Como não completei a lista das dez melhores coisas pra se fazer em Boston? Como eu pude deixar de fazer tanta coisa importante?!


Orientação para Estudantes Internacionais.

6a feira tivemos uma pré-orientação só pra alunos internacionais*. Além de dar um orgulho ver gente de todo o planeta trazendo seus sonhos pra cá, dá um certo conforto pensar que todo mundo passa por essa mesma agonia. Nas conversas com futuros e ex-alunos, parecia unânime: o ano vai passar voando e existe muito mais coisa pra fazer do que qualquer um é humanamente capaz. Afinal, se a gente já tem medo de perder coisas interessantes (nosso frenemy FOMO) estando em casa, imagina estando em Harvard?!

Nos próximos dias, preciso olhar todas as disciplinas disponíveis e escolher quatro (só!!!!) matérias pra cursar em cada semestre. Meio desesperador ter tantas opções e saber que você não vai poder ter tudo. Não é à toa que já ouvi várias conversas sobre equilíbrio e saúde mental por aqui.

Na mesma 6a feira, um ex-aluno sugeriu substituir o FOMO por JOMO: the joy of missing out, ou a alegria de não participar de tudo. Porque, segundo ele, se a gente se conhece e sabe o que é importante pra gente, então faz todo sentido concentrar as energias no que interessa e poupar as energias quando surge algo que não interessa tanto.

Difícil aceitar essa mudança de perspectiva de boa, mas acho que pode valer a pena. Vou tentar me acalmar pra ter uma boa noite de sono… Essa semana promete.

*Também existe uma pré-orientação pra alunos “de cor” (definição dos americanos que inclui qualquer pessoa “não-branca”) e outra pra alunos que são a primeira geração das suas famílias a fazer faculdade.

Beirinha do Rio Charles.