Violência contra a mulher em SJDR: grupos tentam amenizar

São João del-Rei tem marcado presença nos movimentos de proteção à mulher. No último dia 19 de abril, a Câmara Municipal sancionou a criação do Projeto 6.919, conhecido como Programa Parada Segura.

Com a intenção de garantir a segurança de idosos, mulheres e deficientes físicos durante a noite, a proposta de emenda do vereador Robson Zanola reivindica que os motoristas de ônibus sejam obrigados a parar fora dos pontos regulares a partir das 21 horas. O programa ainda precisa passar pela aprovação do prefeito Helvécio Reis (PT).

Projetos como o Parada Segura já estão em vigor em cidades grandes, que apresentam altos índices de assaltos e tentativas de violação contra mulheres.

A aluna de direito Camila Paiva usa o meio de transporte todos os dias e já passou por situações de medo na volta para casa: “Algumas vezes, eu precisei correr até a minha casa por medo de encontrar com alguém no trajeto e não ter a quem pedir socorro. Para mim, o Projeto Parada Segura irá ajudar todos os passageiros que não têm os outros meios para chegar até o destino com segurança. Diversas violências podem ser evitadas se os passageiros tiverem maior mobilidade”, conta.

O grupo “Vamos Juntas” também tenta resolver o problema de falta de segurança da mulher na cidade.
Acesse o grupo em SJDR aqui: https://www.facebook.com/groups/272327046436119/

Também com a intenção de trazer mais segurança na circulação de meninas no período da noite, o Grupo Vamos Juntas surgiu em de 2016 e já conta com quase 330 membros. A idealizadora é a estudante de Comunicação Social Byron Marques. “A ideia era reunir as moças em um grupo para combinarmos de irmos juntas aos lugares ou saindo deles. Sabendo as condições que nós mulheres temos na rua, a melhor maneira é caminharmos juntas para nos proteger, e também nos conhecer e trocar experiências. Tem sido bom para me sentir mais unida com as moças”, explica Byron.

Ana Vitória Vilela, estudante do curso de Geografia da UFSJ, faz parte do grupo e comenta sobre seu medo de assédios e violência, e como o grupo a ajudou com isso: “A sensação de insegurança e vulnerabilidade é constante ao voltar ou sair sozinha de casa. Com a iniciativa do Vamos Juntas, temos a oportunidade de amenizar essa sensação em nós mesmas e também em outras garotas que estão passando pelo mesmo.” Ana conta que o grupo já foi útil algumas vezes para ela. “Utilizei do grupo algumas vezes para conseguir companhia, e todas as vezes que consegui, me senti mais segura e fiz meu percurso com tranquilidade, além de ganhar uma amiga.”

Segundo a ONU, 7 entre cada dez mulheres no mundo já foram ou serão violentadas em algum momento da vida.
Onu revela dados preocupantes em relação à violência contra a mulher. FOTO: Divulgação/Google

Na madrugada do último sábado (14), a chilena Nabila Riffo, de 28 anos, foi brutalmente atacada na cidade de Coyhaique, no sul do país. A jovem perdeu a visão de ambos os olhos e sofreu diversas fraturas no crânio, e, devido ao estado delicado de sua saúde, ela corre risco de vida.

Segundo o boletim policial, o ataque aconteceu depois de uma festa, da qual participaram Nabila, o namorado e um amigo.

A Polícia ainda investiga as causas do crime que está causando comoção no Chile. Centenas de mulheres foram às ruas da cidade de Coyhaique ou repudiaram o ato pelas redes sociais. Já foram registrados 14 casos de feminicídio no país desde o começo do ano.

TEXTO: Ana Quadros, Brenda Lima, Clara Rita, Elaine Maciel.