A personificação da inveja

Uma observação cotidiana

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Um grande equívoco, e corriqueiro, é julgar que quando alguém reprova um mau comportamento alheio, e externa isso de forma sincera, está sendo invejoso. Imagino que a pessoa que dá a mancada queira se convencer, de algum modo, que não é da forma como o outro a vê, e agarra-se às suas defesas cegas, privando-se de reconhecer o próprio erro, caindo, fatalmente, na armadilha da autopiedade, da vitimização.

Pior do que isso, é quando a criatura errante não tem nada que se possa invejar, pois a própria palavra “inveja”, que contemporaneamente ganhou uma conotação tão negativa, também é usada como adjetivo para descrever o que é digno de, o que é invejável, ou seja, precioso, aprazível, admirável...

Acho que falta dicionário na vida dessas pessoas que pensam que tudo é inveja, pois uma vida sem significados é uma vida realmente "miserável", e, mais uma vez, temos aqui uma palavrinha bem versátil e paradoxal, que ao mesmo passo que remete a quem está desprovido de condições financeiras, ou em situação de extrema pobreza (que pode ser temporária), também aponta o avarento, aquele que, tendo tudo, é incapaz de repartir, pois é apegado ao dinheiro e aos bens materiais. Deus me livre dessa segunda forma de miséria!