Quem define os seus alvos? Você?

A ideia era um diário e eu fiquei de decidir se teria ou não uma lista de metas do ano. Foi uma tarefa difícil pra mim, então eu me dei um tempo. Só que não era para durar tanto e cá estou eu com um sentimento de culpa. Mas há remédio.

Bom, lista de metas não funciona comigo. E, se funcionasse eu precisaria primeiro saber o que quero. E juro, quanto mais eu penso, pior fica.

Terminar a faculdade é um alívio, mas também um fardo. Você pensa “e agora?”. Na verdade a minha ansiedade rotineira já me fazia sofrer por antecipação há um bom tempo. O último dia, o TCC, o fim, foram só o estopim.

Acontece que desespero não é bom conselheiro, e ele já fez com que me inscrevesse para vagas que talvez eu desse a vida para não se chamada.

Tem horas que é bom respirar, parar de ouvir os outros, as opiniões, os pitacos alheios. Alias, é bom até parar de ouvir a si próprio quando se está pensando muita asneira. A gente se preocupa com o que a família vai falar, antes que alguém lembre que a gente existe. Fica arquitetando as desculpas e os planos B, C, D e assim por diante, porque “antes um pássaro na mão do que dois voando”. Mas quem disse que eu preciso de um pássaro? Não sei, só sei que eu acreditei.

Não sei se faz sentido me impor uma meta para no fim do ano sentir orgulho por tê-la atingido ou quem sabe tristeza pelo fracasso. Não é difícil entender o que quero dizer. Afinal, quantas vezes lutamos absurda e incansavelmente por algo que no fim não trouxe o que esperávamos? É muita pressão, ansiedade, expectativa muitas vezes infundada, simplesmente porque a gente não se conhece, não se respeita e vai tentando se encaixar, seguir o fluxo.

Quantas vezes deixei o rio me levar pra longe sem saber nadar e tive que voltar, engolindo água. Todos diziam que a felicidade estava lá, nas corredeiras e cachoeiras, todos queriam chegar. Como eu poderia saber?

Engraçado como a gente consegue ser covarde diante da vida. Escolhe o mais fácil, o mais óbvio, jurando pra si que tomou a decisão mais difícil por um bem maior, tenta se convencer de que foi preciso. Até dá pra convencer os outros, mas ninguém se engana por tanto tempo sem ferir, ainda que um pouco, a si mesmo, sem se pegar assim, só de vez em quando, pelos cantos, com um riso amarelado, quase infeliz.

Concurso público! Minha salvação! Estabilidade, dinheiro, férias, viagens, 40h semanais, folgas aos fins de semana … Por que não? … Tanta gente que se forma no curso dos sonhos e acaba numa repartição. Chata, cara amarrada, não perdoa erro não. Mas não dá pra generalizar.

Sei lá, tenho amigos que não fizeram o que queriam, mas postam fotos legais, estão aproveitando a vida, de um jeito ou de outro, fazendo com que dê certo. Afinal, não sou eu quem decide o que é o certo, nem ninguém…

Portanto, eu tenho algumas coisas que gostaria que acontecessem esse ano e estou trabalhando para que aconteçam. Não sei se concretizá-las me fará bem, só o tempo dirá.