The end is the beginning is the end.

Lan House
Lan House
Sep 5, 2018 · 3 min read

Essa semana eu ouvi essa música e nunca me fez tanto sentido.

O fim é também o começo pra um mundinho de oportunidades que estão por vir. O começo é também o fim de um mundinho que era aquele amigo do peito até o segundo anterior.

O que se sente é uma enorme confusão, porque você não decide se sente nostalgia pelo fim, alegria pelo que cumpriu, tristeza pela porta que vai se fechar atrás de você, ou frio na barriga pelo que está por vir. Você sente tudo isso e um tanto mais que ninguém nunca explicou pra gente. A gente só sente. “Não sei” é a resposta padrão pra quem pergunta como estou. Eu não sei.

Os tais novos desafios, o sair da zona de conforto que tanto batem na nossa tecla. Eles estão aí. De novo batendo também na minha nova porta. Estou saindo da minha zona de conforto de novo, sendo expulsa da minha zona de conforto. F-1 manda lembranças.

Então eu pensei por esses dias que a vida é feita de fases. Clichê, mas também existe descoberta no clichê. Eu descobri isso nessa fase. Se a vida não fosse por fases a gente ia perder a esperança de mudar amanhã. Mudar é bom. Não só de rotina, mas de opinião, de ideia. O vestido rodado que eu tanto usei e sujei de mostarda, já não serve mais porque saiu de moda ou porque as noites de pizza delivery não o fizeram caber mais. Funciona do mesmo jeito que nossas ideias, crenças, opiniões. Você não é assim, você está assim. Tudo vai mudando com o tempo, coisas vão sendo jogadas numa caixa que a gente sente uma dorzinha no peito antes de lacrar, e de tempos em tempos quer voltar pra ver se “quem sabe aquela blusinha ainda cabe”. Você espreme aqui e ali pra fazer caber. Não cabe mais, e tentar usar de novo vai te fazer sentir desconfortável. Sem ar.

O jogar o que não serve mais, o que já não é você, dentro da caixinha é honestamente libertador. Pena que essa sensação só vem depois de semanas.

No minuto que antecede o fim, você ainda vai estar sofrendo por ter que lacrar aquela caixa da rotina que te acompanhou pelos últimos meses, anos. E nas próximas semanas a nostalgia vai ser tamanha, a saudade tanta, que você vai pegar aquele estilete enferrujado e reabrir a caixa, numa tentativa vã de viver uma vida que já não é mais a sua. Às vezes o estilete te corta. Te faz sangrar.

É difícil entender. Mas entende. Tudo passa. Isso também. Essa fase. Como aquela luona cheia que te enche de romantismo suspirante na janela de casa. Essa minha luona cheia pessoal que me enche de orgulho, alegria, realização, e que me trouxe um conhecimento extraterreno sobre mim, termina hoje. Elaine, que veio com nome de tocha, reluzente. Termino eu a fase. A luona já está luinha, em fase minguante. Suspira seu último arzinho. Um suspiro quente que sai sussurrando: Tá saindo? Apaga a luz! Mas ainda tem essa tocha toda pra iluminar os próximos cômodos da vida. Pra digitar Fade in: na próxima página.

FADE OUT.

Dói. Mas também anima.

Lan House

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Lan House

Elaine Perrotte. Old but not gold. Nascida nos caminhos obscuros do audiovisual, dizem que tem o fascinante poder de transformar crises de choro em de riso.

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