“A paixão é expresso. Amor é coado.”


Antes que por acaso você que começa a ler essas linhas errantes, pense que este é mais um texto sobre culinária, café, guloseimas ou qualquer outra coisa que venha nos saciar o estômago e olhos… não é bem isso.

Hoje pela tarde estava passeando pela minha conta no instagram, uma daquelas passeadas sem rumo, onde você só quer mesmo passar o tempo da mesma forma que desliza o dedo sobre a tela do seu celular e me deparei com essa imagem, na verdade, com essa mensagem.

Deixe me fazer explicar.

A paixão é expresso. Amor é coado.

Essa simples frase traz em seu bojo um significado tão imenso, que só após de algumas horas deliberando em ócio resolvi sentar para escrever esse texto.

Como sabemos, muito se fala hoje dos amores líquidos, amores de bolso, um tal de pega e não se apega, vários “eu te amo” vazios por ai, milhares de paixões em um único ano, quando não em um mês(não que isso esteja errado, não estou aqui para apontar dedo a ninguém), mas repare só:

“A paixão é expresso.”, o sábio que escreveu essa frase deve ser louvado, afinal de contas realmente a paixão é expressa, é possível se apaixonar a primeira vista, mas não amar. Não sou um bom conhecedor de café e as peculiaridades do seu preparo (Desculpa Nando, não aprendi quase nada ainda), sou apenas um viciado no pretinho, entretanto, devo acreditar ( perdoe-me nobre leitor caso esteja errado) que o café expresso é rápido, saída rápida, pediu ta na mão, vapt-vupt, assim como a paixão você bobeou e ela te pegou como já dizia o grupo Revelação.

Já com o amor é diferente, o autor da frase joga no seu colo o seguinte pensamento “amor é coado” e pronto. Bum!

Quando penso em café coado, como um bom menino amarelo criado pela vó no feudo de Simões Filho, só me recordo dos sábados que íamos para fazenda e meus avós preparam o café no coador. Nossa! era uma espera interminável até a aguá ferver, derramar a aguá no pó de café e a última gotinha cair do coador, limpar o coador na lixeira, lavar o coador e enfim o café vir a mesa, era um ritual (creio que meus avós e tios do interior até hoje preparem café assim).

Quando penso na assertiva “amor é coado.” me recordo de um trecho do livro Amor Liquido do genial Zygmunt Bauman, onde ele diz:

“Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e continuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.” (pag.22)

Não sei para vocês, mas acabo de descobrir mais uma qualidade necessária para o amor: paciência (Além de respeito que para qualquer relação humana eu acho necessário).

Veja bem, não estou falando da paciência de Hollywood. Estou falando da paciência humana mesmo, esperar o outro, não forçar a barra, não apressar nada, tudo acontece quando tem que acontecer, cada pessoa tem seu ritmo. Igual ao café no coador é todo um processo para que a água se misture com o pó de café e esse elixir dos deuses resultado desse milagre diário seja filtrado pelo coador (de pano, de papel e etc.) e caia no bule ou caneca.

É necessário ter humildade para compreender que o pó de café sem a água, não se torna café. Preciso ter coragem para misturar os dois. Precisa de respeito para esperar a mágica acontecer (sem intromissões). E precisa ter paciência para beber o fruto(não vá queimar a língua).

Peço desculpas ao grandiosíssimo Neruda, por discordar em partes do seu verso “Amar é breve, esquecer é demorado.”( Pablo Neruda. Vinte poemas de amor e uma canção desesperada), já que em minha humilde opinião amor e brevidade não são nem de perto sinônimos.

Na falta desses pseudos requisitos(já que impor regras em algo que por sua própria natureza é livre, na verdade é uma baita tolice), pede um expresso e vai curtir a vida meu amigo, quem sabe de expresso em expresso você alcance a vontade de tomar um café coado(meu singelo desejo).

Ainda assim, seja qual for sua escolha entre expresso ou coado parafraseando uma grande amiga que venham… “ambos quentes, por favor!”(Valeu Mi)

Por: Elder Malaquias, em Contos e Cronicas (in)dependentes.

*a imagem eu peguei lá no instagram @afetompb