Só faltou um titulo decente.

as histórias de amor em sua grande maioria costumam ser tristes, mas confesso com todo afeto que sem elas nada seríamos.

Abotoava calmamente a camisa em frente ao espelho, enquanto a televisão trazia noticias sobre as barbáries cometidas na Síria. Sentou a beira da cama para melhor calçar os sapatos e por um momento deixou as lembranças virem a tona, como um turbilhão e deixou pouco a pouco se afogar em todo aquele mar.

Em questão de segundo estava sentindo o cheiro dela, lembrando das risadas matinais por ter achado uma calcinha bem dobrada no bolso do paletó, na pasta ou no porta luvas… o jeito doce que ela dizia que não fazia ideia como aquilo fora parar ali. A saudade dela costumava vir com toda força durante a manhã e para piorar o prognóstico na noite anterior um grupo de amigos compartilhavam e comentavam as novas fotos dela para alguma linha de roupas.

Nossa! As lembranças vieram como um abraço indomável, não largavam.

O dia foi improdutivo, a enxaqueca atacou, a paciência acabou antes da hora, nada de ganho de potência, nada de ganho nenhum, só ela passeando pela mente, perambulando na porta do quarto chamando para dormir, se enfiando embaixo do cobertor, pedindo cafuné, pedindo abraço.

seis e meia, outro dia, a mesma rotina do dia anterior.

Decidiu fazer diferente, ao menos dessa vez tomou coragem, como quem toma uma dose de conhaque e ligou para ela, no primeiro sinal de chamada pensou em desistir, na segunda ja estava desligando, entre um bipe e outro sua mente perambulou por toda a história deles, desde o dia que se conheceram até o término mal resolvido, o amor mal resolvido, os novos namorados dela, os términos que ele sempre acompanhava de longe, como um espectador arrependido, foi quando uma voz masculina atendeu o telefone, ele desconversou o assunto, o sangue desceu da cabeça, ficou pálido e lá foi ele novamente pro fundo do poço, voltando para a estaca zero, pediu um café diferente naquele dia e rogou para que algo novo acontece-se.

E aconteceu, pouco a pouco a saudade dela ia esmaecendo, ia morrendo, dia após dia, ele no fundo sabia que nunca acabaria o pote todo mas, afinal de contas já dizia Cae “ Saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio”.