Mergulhando com tubarões em Roatan — Dive point Cara a Cara

Dicas para um mergulho sustentável

Mergulhar não é simplesmente entrar na água e sair batendo pernas de um lado para o outro dentro d’água tentando ver o máximo de animais possível para chegar contando no barco durante o intervalo de superfície.

Mergulhar é entrar em contato com um mundo novo, onde você é visitante e onde a sua presença, dependendo do seu perfil como mergulhador, pode ser extremamente nociva.

Cansei de ver mergulhadores que, por não praticarem de forma correta as habilidade para um bom mergulho se tornavam verdadeiras ameaças de nadadeiras embaixo d’água! Tanto para a vida marinha, quanto para os outros mergulhadores que acompanham o atrapalhado.

Pensando nas vitimas marinhas e humanas, e principalmente para dar uma força na preservação desse ecossistema — uma vez que muitos mergulhos são realizados em áreas de proteção marinha — reuni nesse texto algumas dicas para um mergulho mais, digamos.. sustentável que elaborei segundo observações pessoais durante os mergulhos que já fiz!

#1 — Você está na casa deles e não na sua, portanto, comporte-se!

Isso mesmo, vocês está ali de visita, e aqueles lindos seres estão fazendo a gentileza de não se importarem com a sua presença barulhenta e desajeitada, portanto nada de tocar, encurralar, perseguir, cutucar, provocar.

Imagina você, tranquilo na sua em casa e de repente um doido surge te cutucando, jogando luz forte na sua cara, te pegando e jogando pra cima só pra tirar aquela foto legal pra mostrar pra galera depois. Nada legal né?! Aquela lógica do “não faça com os outros o que não gostaria que fizesse contigo” é válida até embaixo d’água.

#2 — Cuide da sua flutuabilidade!

Isso é importantíssimo e muito mergulhador se esquece disso. Principalmente aqueles que só fazem curso básico. A flutuabilidade é de extrema importância não apenas para melhorar seu tempo de fundo ou deixar seu mergulho mais confortável. Mas principalmente para a preservação do fundo do mar.

Se você não tem uma boa flutuabilidade é um risco para os corais à sua volta. Uma descida errada em cima de um coral e você mata milhares de bichinhos que você nem imagina que poderiam existir e acaba com a casa de mais um monte de outros seres.

Portanto galera, abusem dos cursos de flutuabilidade! Todas as boas escolas de mergulho oferecem esse aprimoramento.

#3 — Mergulhe com calma e evite ficar dando pernadas pra lá e pra cá.

Pois é, essa dica vem nadando junto com a da flutuabilidade. Sabe o trim? Aquela posição linda onde você mantém suas nadadeiras para o alto, com o joelho em 90 graus? Ela é a melhor e mais indicada para você não sair batendo em nada. E nessa posição você só precisa mexer delicadamente as nadadeiras para se locomover.

Mergulho não é rally, não tem competição de quem chega primeiro ou quem vai mais rápido. Quando mais rápido você vai embaixo d’água menos coisa você vê e mais chance você corre de causar um dano grave a uma formação de coral.

#4 — Se sua nadadeira encostar em algo, não se afobe!

Parece incrível a predisposição para dar pernada que um mergulhador tem quando sente que a nadadeira encontrou alguma resistência no meio de um movimento. Se isso acontecer contigo, CALMA! Pode ser um colega mergulhador que sem querer deu de cara na sua nadadeira e se você se desesperar vai deixar ele maus lençóis com as pernadas na cara. Ou pode ser que você tenha encostado em um coral — o que é ainda pior! E se você sair batendo perna desesperado vai acabar com ele.

A máxima é CALMA! Se você tiver ficado preso, pernadas agitadas não vão ajudar em nada. Pelo contrário, pode até complicar a sua situação. Não se esqueça que você tem seu dupla para emergências como essa, uma das funções dele é te livrar de qualquer enrosco. Confia no dupla e bora combinar que fundo do mar não é lugar de pernadas desesperadas!

#5 — Não toque! Não pegue! Não mexa!

Sei que já falei disso no item 1, mas essa dica precisa ser lembrada, relembra, anotada, memorizada ao máximo! Bicho do mar não é pra ser tocado, mexido, movido, experimentado, levado pra casa! Interação só se eles vierem socializar com vocês e mesmo assim, deixando eles ditarem as regras.

Não podemos esquecer que estamos lidando com animais selvagens que podem se assustar, ficar agitados e acabar sofrendo algum stress não saudável para seus organismos. Ah.. e o lugar deles é no mar, não na sua estante da sala!

#6 — Deixe apenas bolhas, leve apenas fotos e lembranças na memória!

Essa é para complementar a anterior. Nada é pra ser retirado do fundo do mar e nada é para ser deixado lá!

Cuidado com peças de equipamento mal fixadas, com aquela fita crepe usada para marcar o cilindro cheio no barco, com papel de biscoito, copo plastico, tampa de garrafa. O barco de mergulho precisa ser um lugar organizado (sei que isso parece meio impossível, mas tem que ser), principalmente no quesito lixo. Tem que ter um lugar seguro, fixo, bem vedado para se colocar todo e qualquer lixo.

É muito triste ligar os motores para ir embora, olhar pra trás e ver boiando na água aquele papel do biscoito que você acabou de comer, achou que tinha jogado no lixo do barco mas agora viu que ele conseguiu voar para longe porque o lixo não era bem protegido.

Portanto, observe, cuide, se preocupe com o seu lixo no barco. E se o barco não oferecer condições para esse cuidado, reclame e cobre isso do dono da operadora!

#7 — Sempre que possível participe de mergulhos de limpeza do fundo.

Procure saber se no lugar onde você está mergulhando eles costumam fazer mergulhos de mutirão para limpeza do fundo mar e se inscreva para participar de um.

Foi tão bom mergulhar no lugar, é melhor ainda poder contribuir para a sua preservação e para que as pessoas que virão depois de você tenham a mesma experiência fantástica que você teve!

Se não houver esse tipo de mergulho, tente promover um com o auxílio dos profissionais do local! Não custa dar a ideia!

#8 — Fale de seus mergulhos com o maior número de pessoas possível!

Tente trazer seus amigos para esse mundo também. Não apenas para ganhar mais duplas, mas também para ajudar a aumentar o número de pessoas transformando sua relação com o mar.

Confesso que começar a mergulhar mudou a forma como eu passei a me relacionar com o mar. Sempre gostei, sempre me preocupei com a sua preservação, mas depois que eu me tornei mergulhadora isso ganhou outra dimensão. Virou pessoal!

Mergulhar te coloca mais perto, estreita a relação com esse mundo que antes era cheio de mistérios e de certa forma, bem distante da nossa realidade palpável. Mergulhar é uma ótima forma de promover a criação de laços mais significativos com o mar. Logo, facilita a criação de uma consciência de preservação.

Portanto, bora colocar os amigos, filhos, parentes, todo mundo pra mergulhar! É uma excelente medida de conscientização.


Claro que essas dicas são apenas algumas das formas de tornar seu mergulho mais sustentável e manter sempre viva a preocupação com a preservação desse mundo submerso que nos proporciona tantas experiências fantásticas!

Isso não é nem 1 milésimo do que precisa ser feito para preservar esse ecossistema tão essencial para nossa vida na Terra. Mas acredito que, como mergulhadores, esse é o mínimo que temos que fazer já que o mar se encontra sempre generosamente de portas abertas para nossos passeios!

Agora me conte você, o que faz para tornar seu mergulho mais sustentável? Escreve aqui nos comentários!