Encontro com golfinhos em Roatan

05/30 — Mergulhando por um mundo melhor.

Toda vez que vou mergulhar uma das coisas que mais curto é saber que o lugar é uma região saudável, para os corais e para os animais e que o turismo de mergulho é realizado com a preocupação de não prejudicar o ecossistema local.

Sempre fui uma pessoa muito ligada em questões ambientais, um pouco talvez por ter sido criada em cidade de interior, com os pés no chão, subindo em árvores e nadando em rios e uma outra parte por conta da minha formação como arquiteta e urbanista que aguçou essa minha sementinha com uma visão mais sistêmica e integrada da ação da modificação do homem sobre a natureza.

Mas reparei que depois que comecei a mergulhar, minha preocupação com o meio ambiente, que já era grande, ganhou uma nova escala. Dos problemas da terra a gente sabe bem porque é do nosso cotidiano, vivemos diariamente e nos impactam de uma maneira mais “visível”.

Mas os problemas do oceano muitas vezes ficam escondidos por debaixo do manto azul que, para quem olha de fora, não deixa transparecer de maneira clara o que pode estar acontecendo lá embaixo.

E é cada vez mais frequente vermos notícias sobre as famosas ilhas de lixo, que são aglomerações gigantescas de lixo, originadas pela confluência de correntes marinhas e que ficam vagando mundo afora, ameaçando os animais marinhos.

Estamos cansados de ver essas imagens e também imagens de tartarugas, baleias, golfinhos que morrem por terem ficado agarrados em restos de redes, aquelas argolas plásticas de prender conjunto de latinhas de refrigerante então vivem sendo alvos de tartarugas que ficam presas no meio das argolas. Mas por não compartilharmos esse meio de uma maneira mais intensa, esses problemas acabam ganhando uma dimensão equivocadamente distante.

Mas quando virei mergulhadora senti que o negócio começou a ganhar outra cor. Antes óbvio, ficava indignada, não entendia como as pessoas podiam não se preocupar com isso, mas era diferente. Depois que virei mergulhadora o negócio ficou pessoal! Como assim estão sujando o MEU mar?!

Depois que eu tive a maravilhosa experiência de descobrir o fantástico mundo que existe embaixo d’água — tão cheio de vida, de mistérios, de energia boa, de seres maravilhosamente dóceis e indefesos, porque não podem fazer nada para parar essa máquina de destruição em série que é o ser humano — minha percepção e preocupação com relação ao ecossistema marinho tomou outras proporções.

Em toda saída de mergulho gosto de observar as atitudes dos mergulhadores que estão comigo, da equipe que está prestando o serviço. Olho se tem alguma orientação séria quanto à preservação, à não jogar lixo, a não tocar os animais nem levar “lembranças” do fundo do mar. Isso tudo virou quesito de avaliação da qualidade da empresa e das pessoas que mergulham comigo.

Já passei por experiências onde o dive guide (profissional que guia o mergulho em um lugar que você não conhece) saia pegando tudo quanto era bicho para mostrar para nós. Era estrela do mar, caranguejo aranha, sobrou até pro quase imperceptível pepino do mar. Mexeu em tudo. Odiei! É uma operadora de mergulho que não contrato mais!

O grande problema desse comportamento dele é que isso incentiva os mergulhadores recreativos a fazerem a mesma coisa. E é uma coisa extremamente errada por vários motivos. Primeiro de tudo porque é incômodo para o bicho. Imagina você na sala da sua casa e aí de repente alguém chega e mete uma lanterna na sua cara e te arranca pela janela afora, olha para você e te larga na rua. Horrível isso né!? Então porque fazer com bichos do mar? Não… eles são pra ver sem tocar!

Outro perigo é por causa da fragilidades deles. Quando os tocamos podemos estar destruindo o sistema de defesa de seus organismos, causando a sua morte. E por último é o perigo do mergulhador sofrer alguma lesão pelo contato.

Por outro lado existem iniciativas bem interessantes que é o mergulho com o propósito de limpar o fundo do mar. Isso acontece muito em regiões com um grande pelo turístico, pois junto com os turistas, muitas vezes vem lixo e poluição. O mergulhador recreativo desce munido de um saco permeável e lá dentro vai colocando os dejetos que ainda não foram apropriados pela vida marinha. Já vi reportagens mostrando essa prática em locais como Cozumel no México. É uma boa forma de gerar consciência do estrago que podemos fazer ao fundo do mar e seus seres e de promover uma ação efetiva de manutenção.

E o mergulho feito em locais de preservação permanente, como o Parque de Abrolhos, onde antes do começo dos mergulhos nos é avisado e afirmado as medidas de conservação do local e principalmente o que vem sendo feito para preservar esse ecossistema.

Mas o que realmente me chamou a atenção nesse processo todo que comecei a vivenciar após ter começado a minha vida no mergulho é o potencial motivador de um comportamento mais sustentável que a prática de mergulho pode ter na vida de uma pessoa.

Sabemos que nós, seres humanos, temos a tendência como grupo de não cuidar muito do que é coletivo. Principalmente os brasileiros. Não tendemos a cuidar de algo que não nos sentimos “donos” ou com o qual não estamos emocionalmente ligados. Pensando nisso, não consigo deixar de ver no mergulho uma forma fantástica de criar essa ligação de proximidade com esse ecossistema tão diferente e misterioso para nós, que nascemos e crescemos na terra.

Vejo no mergulho uma potencial ferramenta de educação ambiental, portanto acredito que seria muito interessante serem criados programas de conscientização ambiental que envolvesse levar pessoas para mergulhar, fazer um batismo ou pelo menos um snorkel orientado por profissionais que, durante o passeio passasse informações importantes sobre a preservação do fundo do mar.

Concorda comigo? Conta aí de que outras formas o mergulho pode ajudar na preservação marinha? Já teve alguma experiência positiva ou negativa com reação à preservação marinha durante algum mergulho?


Esse foi o quinto texto do desafio #30ideiasem30dias #eapalavraeh, para saber mais, clique aqui!

Para ler outros textos do desafio clique 04/30 e 06/30.

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Amanhã tem mais!