Paciência!

Eu tô sem nenhuma. Deveriam vender no mercado, mas no caminho de comprá-la e consumi-la eu provavelmente me irritaria com o transporte, o caminho, a fila, o caixa e, finalmente, com a embalagem do produto. Mas pelo menos eu pararia de estar da forma que eu estou. Mas que coisa chata!

Estou com menos paciência pra mim mesma do que estou para as pessoas. E tô com a paciência nula. O remédio mudou e a dor no estômago foi cruel. Mas o resto da adaptação inclui não ter paciência, querer encher a cara de cerveja e chutar o computador com qualquer mínimo travamento.

A única coisa que eu pareço ter paciência é o ser humano que nem comigo fala. Sei lá que porra foi que eu fiz dessa vez. Não é nada comigo, mas, se fosse, eu também não saberia. É chato demais lidar com alguém que não diria nada, nem se quisesse, porque não poderia. Lidar, no caso. Não falar. Repeti uma palavra no mesmo parágrafo. Minha redação deve estar que nem minha cabeça. Levaria um zero no ENEM por desrespeito aos direitos humanos?

Me sinto 100% sozinha. Ainda que não esteja. Está tudo bem, e igual a sempre. Quase sempre. Aliás, sempre. Ainda não achei algo (ou alguém) que me deixasse confortável e me libertasse para sentir acolhida e seguir minha vida com esse acolhimento. Cheguei perto, mas foi só o rótulo. Um rótulo que me segurava, porque eu sempre achei que precisava mesmo desse rótulo. De vários rótulos. Magra, bonita, inteligente, articulada, namorada.

Sei lá quais dessas porras eu sou. Na minha cabeça falho pesado em me rotular, coisa que deixei de fazer faz tempo. O problema de deixar de fazer é que a necessidade em si não passa, e o reconhecimento vira uma busca incessante. Nos outros. Meu maior erro é querer reconhecimento e atenção incessantes. Cuidado. Carinho. Parabéns. Você fez um bom trabalho.

E a última coisa que eu estou fazendo agora é um bom trabalho. Tenha santa paciência.

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