O que acontece é o seguinte. Eu tenho sentido raiva das coisas. Desmotivação, também. Sabe quando nada parece agradável ou o suficiente? Colocar qualquer música no Spotify me irrita. Parece um ruído de fundo absolutamente desnecessário. Ventilador na cara me incomoda. Calor me estressa. Comida não me atrai, gente me dá desgosto e contato com gente fria que não quer ouvir me dá nos nervos. Ou seja. Quanto mais parecido comigo a pessoa esteja naquele momento, maior a possibilidade de eu querer dar na cara dela e/ou fugir daquela situação o mais rápido possível.

Não me leve a mal. Tenho bons amigos, alguém por perto e uma vida cotidiana sobre a qual não posso reclamar. Estudo o que gosto, trabalho no que quero e, no final do dia, tenho disponibilidade pra gastar o tempo como quiser. Com todos os problemas, não há problema nenhum.

Mas o problema é esse! Como é que eu quero gastar meu tempo? Achei que já tinha descoberto, mas o tiro do teste saiu pela culatra. No primeiro segundo, acordei irritada achando que minha auto sabotagem subconsciente tinha atingido níveis absurdos (e ridículos) como um pesadelo daqueles. Depois fiquei pensando: “como isso reflete o que eu realmente sinto? Será que eu acho que nada disso é real e, no fundo, morro de inveja de algo que eu gostaria de ter? E que atitude eu tomaria sobre isso?” Nenhuma. É. Eu sei.

Acho que no fundo as coisas me lembram você. Ficar de boa em um ambiente seguro e tranquilo onde eu posso só ser eu e não me incomodar com nada é uma lembrança distante e você faz parte dela. É o único pensamento que não me irrita, é a única imagem que não me estressa, e a única vontade real que eu tenho é de continuar pensando nisso. Já que não posso agir sobre.

Então, tudo me irrita. Exceto tomar café naquele lugar escondido, que nem você deve saber que existe, do expresso barato, olhando cada carro que passa pela porta. Sentindo a taquicardia pensando que algum daqueles pode ser o seu. Sei lá qual é, ainda que saiba seus horários e aquele passava longe de ser um deles. A dor de cabeça passou. A vontade de ficar deitada passou. A disposição pra estudar vai aparecendo aos poucos, como um bichinho inseguro de sair da toca. Que nem você. Te dei essa segurança e nem aí estou. Não é arrependimento, fiz com certeza o que precisava ser feito. Mas deixei uma idealização pronta, no fundo da cabeça, pra que não saísse dali e ela me mantivesse companhia durante o dia. Taí. Esse é o pensamento bom que não me estressa.

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