Dia da Toalha

O dia da toalha, para muitos, é um dia como qualquer outro na vida, para outros, é o dia de enaltecer todo o orgulho sentido por ser nerd. Para mim, é agradecer.

Mas, agradecer por que?

Durante a pior fase da minha vida, foi-me apresentado um dos melhores afagos que se pode imaginar. Aquele livro pequeno, fino com um “DON’T PANIC” reconfortante na capa foi um grande alento. Desde então, as coisas melhoraram. Até hoje, folheio o mesmo livro na esperança de encontrar algo que possa a me ajudar a erguer a cabeça — e sempre encontro!

Na primeira leitura, tive a certeza que a vida era uma poesia escrita por um Vogon e recitada incessantemente, até os últimos dias de uma pessoa; que criar o universo foi uma péssima ideia, mas felizmente deus sentia muito. Que nossos governantes têm o cérebro movido a suco de limão e que, pra ser feliz, era necessário tomar uma dose de aguardente Janx ou Dinamite Pangalática por semana. Que 42 é apenas aceitável.

Mas, devido a uma leitura mais atenta, notei que existem dois jeitos de ver a vida: 1- o de um androide paranoide que foi esquecido por anos no estacionamento de um restaurante no fim do universo cujo suas únicas companhias eram naves de luxo e uma máquina de café, ou 2- a de quem queria se salvar. Eu queria me salvar.

Com isso, eu comecei a notar novas coisas ao meu redor. Coisas simples como:
  • Sim, POPs existem e nós realmente precisamos nos importar com eles — isso se chama empatia!
  • Discussões e guerras acontecem porque as pessoas não entendem umas as outras, mas são motivos tão insignificantes que é como se tudo isso fosse comido por um cachorro comum;
  • Nós somos apenas um bando de ratos de laboratório sendo cobaias de nós mesmo.
  • Não olhar pro céu nos transforma em pessoas amargas e nos deixa ansiosos demais quando o vemos pela primeira vez.
  • Críquete pode ser violento.
  • Voar é simplesmente esquecer de cair.
  • Você deixa uma marca muito grande em cada pessoa que passa pela sua vida — inclusive, elas ficam com raiva caso você as mate mais de uma vez.
  • Números de telefone podem ser coordenadas para o gerador de improbabilidade infinita que gere nossas vidas.
  • O amor de nossas vidas têm nomes estranhos e vem através de bilhetes de rifas que jogamos fora sem nem perceber.
  • Mas nem sempre esse amor fica em nossas vidas para sempre.
  • Não somos carregadores de chuva.
  • Nosso planeta é tão incrível que já recebeu prêmios pelo design.
  • Nós podemos reconstruir nosso próprio planeta e agir como se nada tivesse acontecido, mas viver de construir planetas alheios nos leva a falência.
  • Escritórios são mais legais quando se têm várias pessoas criando incessantemente dentro deles.
  • Pelos amigos, vale a pena percorrer um canto ao outro do universo.
  • Os melhores concelhos vem de pessoas que estão mais na merda que você.
  • Toalhas são mais uteis do que imaginamos.
  • O Guia está certo, as vezes é a vida que erra.
  • A questão fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais sempre esteve ao nosso lado e nós jamais percebemos.
  • É possível não entrar em pânico.

Minha vida mudou muito depois que assumi essas pequenas verdades em minha vida (e várias outras, é quase impossível enumerar) e aconselho a todos a fazer o mesmo. Douglas Adams foi um dos maiores pessimistas que esse mundo já viu, mas também um gênio! Não só pelas sagas de Arthur Dent e Ford Prefect, mas também por um doutor alguém que faz questão de mudar o tempo para nos proteger. Douglas Adams tentou fazer com que as pessoas vissem o mundo através de seus olhos, mas depois de sua morte, ninguém conseguiu trilhar seus passos.

Então, mesmo após 16 anos sem Douglas Adams, aqui vai meu mais verdadeiro agradecimento. Agradeço a você, sr. Adams, por me mostrar que uma garotinha gordinha, nerd que não acreditava que o futuro poderia ser bom, pode ter esperanças de ser alguém grande. Que o cosmos, em toda sua imensidão, continue a te abraçar, pois aqui, abraçamos seu ensinamentos.

Feliz dia da toalha, que todos tenham orgulho de ser os nerds que são.

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