Saíram pra ir pra escola, mas foram parar na Delegacia…O soldado, se aproximou e foi explicando que tinha ido levar o filho dela que estava na delegacia, porque tinha feito um roubo na cidade. A velhinha olha para o soldado e diz: “Esse não é filho meu não, eu nem conhéce!”

Eliaquim G Queiroz
Jul 27, 2017 · 5 min read

Um dia que Eliaquim e mais dois colegas de classe, saíram de casa pra ir pra escola, mas nunca chegaram lá. No caminho da escola, passaram pela Praça Independência, e para surpresa dos três meninos estava acontecendo o lançamento da cerveja Londrina chopp, eles não tomavam bebida alcoólica, mas ficaram encantados com a quantidade de garrafas vazias espalhadas por toda parte; quando se deram conta tinham perdido o horário da escola e decidiram não ir mais à aula. Ficaram por ali, assistindo o show que estava acontecendo e juntando garrafas vazias para vender. Combinaram que com o dinheiro que juntassem com a venda das garrafas seria para comprar pururuca (uma delícia que era vendida num vidrão, no bar da rodoviária).

No outro dia Eliaquim, Otelino apelidado de “Tê”, juntamente com o Jesulino mais conhecido de “Cabeloro” se encontraram no lugar marcado. Cada um trazia todas as garrafas que conseguia carregar. Os três garotos tinham duas coisas em comum: 1ª) eram muito trabalhadores, 2ª)não tinham lembrança da última vez que tinham visto dinheiro em suas mãos.

Empolgados com a oportunidade que tinham de conseguir algumas moedas, seguiram em frente, mas de repente, tudo mudou. Quando iam passando nas proximidades do Restaurante Lins, avistaram um caminhão mal coberto por uma lona, se aproximaram e pelas frestas, a visão que tinham era maravilhosa… Eram engradados de garrafas cheias de bebida. Sem pensar muito, jogaram todas as garrafas vazias no chão, e Eliaquim subiu na carroceria do caminhão, e foi pegando as garrafas cheias e entregando para o “Tê” e o “Cabeloro”. No calor da situação, só pensavam que o faturamento seria maior, e poderiam comprar mais pururucas…

Mas o plano fracassou, pois alguém que ia passando por ali, viu o caminhão sendo saqueado pelos três moleques, entrou no restaurante e contou para o dono do caminhão que estava jantando lá, o que estava acontecendo lá fora. Nervoso, o homem deixou o prato que comia e saiu em disparada na captura dos meninos. Não demorou muito para que fossem encontrados há umas três quadras do restaurante, estavam despejando lixo de uns caixotes que encontraram pra acomodar as garrafas, pois estava difícil levar nos braços.

De repente, inesperadamente surgiu um caminhão em alta velocidade e deu uma freada brusca em cima dos garotos, a porta se abriu, e de dentro da cabine, dois homens saltaram e a corrida começou. Logo adiante o Tê e o Cabeloro, se afundaram no mato num terreno baldio, e os homens não conseguiram pegá-los. Mas Eliaquim não escapou. Levaram ele pro caminhão, na cabine, no meio dos dois, e seguiram com destino a Delegacia, no caminho o pressionaram para entregar os dois colegas, mas Eliaquim era fiel e não falou nada. Chegando na delegacia, o interrogatório começou: Quem é você?, Quem é seu pai?, Onde você mora? Eliaquim apavorado, deu seu nome trocado, o nome de seu pai também ele inventou, e deu o endereço errado. Inocente ele achava que fazendo isso, ele fosse liberado e ninguém em casa ia ficar sabendo do ocorrido. Mas quando já era quase meia noite, o delegado falou para um soldado: — “Chama um táxi e leva esse moleque pra casa, não vamos poder deixá-lo preso, pois é menor de idade”. Eliaquim respirou aliviado, mas avisou que o pai dele não ia ter dinheiro pra pagar o táxi. Então o delegado resolveu que era pra irem a pé mesmo. Ao saírem o soldado perguntou à ele se sua casa era longe, e ele respondeu: “Não é logo ali”, na sua cabecinha inocente, começava a elaborar um plano para enganar o soldado. Ele indicava as ruas mais desertas e escuras para que ninguém na cidade o visse caminhando com o soldado, que começou a ficar desconfiado e a perguntar seguidas vezes se ainda estava longe, ele sempre respondendo que estava chegando. De repente era hora de executar o plano, olhou para uma casa (que não era a sua) e disse: “É aqui!”, foi abrindo o portão, e pensando: “ele me deixa aqui, eu vou pulando todas as cercas da vizinhança, saio lá na outra rua, e consigo chegar em casa, sem a companhia do homem da lei”. Mas algo inesperado aconteceu. Nessa casa, morava um casal de japoneses bem velhinhos, que cuidavam de uma horta. O soldado pegou Eliaquim pelo braço e ordenou: “bate palma!”, e ele bateu palma bem fraquinho, o soldado já ficando bravo, diz que é para bater mais forte. Como ningúem apareceu, ele diz: “Chame sua mãe”. E Eliaquim começa a falar baixinho:”Manhêêê…”, e o soldado ordenando para ele gritar mais alto, bem mais alto, pois achava que a mãe estava dormindo e não ouviria. E Eliaquim ali gritando com toda força do pulmão: “Manhêêê!!! Manhêêê!!!, e para surpresa dele, a porta foi se abrindo devagar, e surgiu uma senhorinha, com uma lamparina na mão, e muito assustada. O soldado, se aproximou e foi explicando que tinha ido levar o filho dela que estava na delegacia, porque tinha feito um roubo na cidade. A velhinha olha para o soldado e diz: “Esse não é filho meu não, eu nem conhéce!” Aí bateu desespero o plano tinha dado errado, ele tentava escapar do soldado, mas não conseguia, ele apertava forte e avisava que se ele não mostrasse onde era sua casa de verdade, ia levá-lo de volta pra delegacia, para passar a noite na mesma cela dos loucos que ele tinha visto lá. Morrendo de medo, ele viu que não tinha jeito, e prometeu levar o soldado até sua casa. Saíram da casa da “mãe Japonesa” e seguiram direto para a casa de Eliaquim, de longe já se avistava a família e toda vizinhança no portão esperando a chegada dele, pois Francelino, o pai de Eliaquim preocupado com a demora dele, já tinha ido à Delegacia procurá-lo. Então depois de confirmar com o pai que ele realmente morava ali, o soldado largou Eliaquim que além de apanhar do pai, ainda teve que aguentar o gozação de todos os irmãos e dos colegas. Além da vergonha de ter ido parar numa delegacia de policia.

Praça Independência de Mandaguari

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