Religião ainda influencia na vida política do brasileiro

Conservadorismo moral marca avanço religioso na vida da população

Mesmo em uma democracia laica como a do Brasil, a religião sempre teve uma forte presença, seja através de referências, em símbolos nacionais, em discursos oficiais ou rituais de investidura em cargos públicos.

No congresso brasileiro, a Bancada Evangélica, composta por por 85 deputados/as federais e 2 senadores, num total de 87 parlamentares, possui forte influência em decisões políticas e sociais tomadas pelo governo brasileiro. 2 em cada 10 brasileiros, afirma levar em consideração a voz de líderes religiosos quando estes fazem campanhas apoiando algum candidato, afirma o Datafolha, que não incluiu dos 8% de brasileiros que afirmam não ter religião. Entre os 19% de brasileiros que se influenciam pelas palavras de seus guias de fé na hora de votar, apenas 4% o fazem apenas se o aspirante ao cargo estiver ligado diretamente à sua igreja.

A parcela evangélica que dá ouvidos a seus pastores é um pouco maior do que a média (26%), taxa que sobe para 31% em fiéis neopentecostais (fatia que inclui igrejas como Universal e Renascer).

Segundo Eduardo Oyakawa, professor de sociologia da religião da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), “ O voto em candidatos conservadores atrelados à religião se dá muito mais por conta da identificação com um sistema de valores morais do que a opção religiosa em si. Estamos falando de pessoas invisíveis no dia a dia. Elas moram nas periferias das grandes metrópoles e não se sentem protegidas pelo Estado. A dificuldade para ter acesso a bens de consumo também colabora para que encontrem refúgio na religião.”

De acordo com o cientista político Ricardo Denardes, é um sinal de desonestidade por parte de líderes religiosos, influenciarem na vida política de seus fiéis porque isso banaliza a crucial importância do voto na sociedade, “Acho desonesto um pastor, ou um padre, bem como um professor, ou qualquer outro que tenha pessoas “que os ouve” se utilizar disso quanto ao voto. Quando eu induzo alguém a votar em tal indivíduo, eu suprimo sua liberdade, me sinto em condições de pensar por ele, portanto concluo que ele não pensa, o que é um desrespeito travestido de liderança.”

Para o sociólogo, a presença de uma bancada evangélica que toma decisões embasadas em crenças religiosas representa um erro na democracia por manifestarem atitudes opostas àquilo que a própria religião prega, “A bancada evangélica é um completo retrocesso em nosso processo político, eles não são condizentes nem com os princípios da religião, pois todas se baseiam na tolerância, na verdade pregando intolerâncias e lutando somente em causas úteis a líderes religiosos corruptos e não a população geral e nem mesmo a seus eleitores que são ludibriados por belas palavras”

Para a aposentada e eleitora Jaqueline Menezes, o dever de um líder político é interceder na vida particular e espiritual de seu seguidor, nunca de sua vida política, “É um erro do padre ou do pastor usar seu cargo religioso para indicar o voto para este ou aquele candidato de acordo com os seus princípios e interesses usando o nome da religião da mesma forma que é errado fazê-lo em qualquer área da vida política do cristão, isso é desonestidade, mas esclarecer os fiéis acerca daquilo que é desonesto, corrupto ou condenável no meio político é seu dever”.

Para a eleitora evangélica Maria Izabel Padilha, a influência da religião na política é algo benéfico, já que está é tida, por ela, como democrática, inclusiva e coordenada por pessoas capazes de afirmar se um candidato é ou não desonesto em suas ações, “Acredito que de modo geral é ótimo, porque a Igreja é uma grande empresa onde existe um convívio de pessoas de todos os níveis sociais onde os líderes religiosos são capazes de discernir e descobrir as atitudes e caráter de candidatos ajudando o povo.”

Segundo o pastor da igreja Batista Pompéia — Congregação da PIB de Curitiba, Neidivaldo Dias da Silva, a ideia de um Brasil laico é algo praticamente inexistente. Por mais que esteja na Constituição Federal, é uma norma totalmente desrespeitada por uma série de fatores, “Na realidade, essa história de País Laico é balela, uma vez que a Igreja (Católica) sempre comandou e comanda, o Estado, através de seus representantes, por exemplo: há até uma padroeira, oficial, do País, nesse sentido, não é laico, coisa alguma”.

Ainda segundo o pastor Neidivaldo, os eleitos para determinados cargos políticos, não devem representar apenas a sua comunidade religiosa, mas devem ter o caráter de acordo com as leis dos cristãos, “Não obstante creia que, de modo geral, os políticos que temos decepcionam, acredito que, se as pessoas de bem calarem, só os corruptos vão ocupar as tribunas! Contudo, não acredito que as pessoas da membresia da igreja que candidatam devam representar unicamente a congregação de origem, mas, a comunidade que confiou seu voto a ele. Ademais, o que se espera desse representante é, no mínimo, um caráter cristão.

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