Anônimos #01

Cássio Ferreira Lima tem 30 anos, um filho de 5 anos, e uma namorada com quem pretende se casar. Mas ele está desempregado. O que o motiva a seguir em frente?

Por Elida Oliveira

“Cássio Ferreira Lima, meu nome. Eu tenho 30 anos. Eu faço parte da estatística, né? Dos 11 milhões e 400 mil desempregados. Eu fui mandado embora em fevereiro e agora eu tô procurando emprego…”

Inúmeros rostos e vidas se cruzam todos os dias na plataforma da estação de trem às margens do Rio Pinheiros, em São Paulo. Em 13 de julho de 2016, eu cruzei com Cássio. Era uma quarta-feira, por volta das 16h. Barulho estridente dos trilhos, vai e vem de vidas, Sol de inverno.

Estava sentada em um banco pensando se iria para a Sé ou para a República, quando Cássio se sentou ao meu lado. Titubeei, sorri. Arrisquei:

“Oi, tudo bem? Meu nome é Elida. Eu sou jornalista, tô fazendo umas entrevistas na rua com pessoas que eu encontro por aí, e queria contar a sua história. Você topa?”

Cassio abriu um sorriso enorme. Descobri que ele adora ler, adora jornais, adora informação. Adorou saber que uma jornalista havia se interessado pela história dele.

Magro, 70 kg, alto, 1,80m. Negro, olhos negros. Vestia camisa branca, calça social preta, carregava uma mochila. Aos 30 anos, com um filho de 5 anos, Cássio estava desempregado.

Em poucos minutos de conversa, deu para sacar que ele era um batalhador. E a gana de Cássio foi ficando nítida a cada declaração. Disse que encontrava forças nos amigos, na família, no filho Miguel, e na namorada. Não falou mal de ninguém. Não reclamou. Mostrou conhecimento sobre temas variados e um discernimento crítico sobre a realidade que o cerca.

Frente a todos os desafios do país — a crise, o desemprego, o crescimento baixo, a inflação alta, a violência, a exclusão social, o racismo, o pouco acesso à educação — Cássio demonstrou que é no círculo íntimo, naqueles que nos cercam, que está a nossa força maior. E também o maior desafio. Com relações sólidas, somos capazes de enfrentar qualquer problema. Sem elas, ficamos fracos.

Para Cássio, é assim.

Ele trabalhava com cobrança em uma assessoria jurídica, via telemarketing, prestando serviços para diversos bancos até fevereiro deste ano. Mas veio a crise e a redução no quadro de funcionários. Cássio tem direito ao auxílio desemprego por cinco meses. Mas você faz ideia da temperatura da crise para saber se, em cinco meses, você consegue se recolocar no mercado de trabalho?

Pense assim: você ficou sem emprego, mas está confiante. Veste uma roupa apresentável, coloca a pasta com currículo debaixo do braço, e sai de casa. Ou, dependendo do seu tipo de trabalho e hierarquia, você faz contatos via e-mail, LinkedIn, redes sociais, procura agências de emprego. Faz isso um dia, dois, três. Cássio já está assim há 30 dias.

“Eu procurei, procurei, procurei, procurei, procurei, procurei, procurei, procurei, procurei, procurei, procurei, procurei, procurei, e não achei. Agora, provavelmente vou acabar voltando [para a antiga área de trabalho, o telemarketing]. Mês que vem eu tenho que estar trabalhando”, falou.

“Mesmo para vagas operacionais e de hierarquia baixa, as empresas estão fazendo uma série de exigências e, além de tudo, a concorrência é muito grande. É muita gente procurando. Às vezes o processo seletivo é para preencher 40 vagas, mas vão 300, 400 pessoas. Está muito difícil mesmo.”

Pense em você. Pense no Cássio. Quanto tempo resistiria?

Fico curiosa e persisto nas perguntas:

O que faz com que você se mantenha assim? Você tem uma energia boa, um astral bom…
Eu tenho meus amigos, tenho família, né… penso muito no meu filho, que tem cinco anos. O nome dele é Miguel. Apesar de ele morar com a mãe, depende de mim, né? E eu tenho namorada também.

Tem pessoas na minha vida que me inspiram a seguir em frente. Além dos meus objetivos pessoais, de crescimento profissional, que um dia eu quero sair dessa… Não é a primeira vez que eu passo por isso, de ficar desempregado e ficar meio no desespero… Porque realmente eu sou só. Pago aluguel, pago pensão alimentícia e me viro sozinho aqui em São Paulo… Então, é muito complicado.

E o que te faz seguir em frente? Por que vale a pena continuar lutando?
Por uma série de motivos. Pelo meu filho, que é o futuro, é meu papel tentar fazer com que ele seja cidadão de bem, com que colabore com o desenvolvimento da sociedade.

Tenho namorada e penso em daqui um tempo a gente poder formar uma família juntos… E acredito sim, acredito no futuro, acho que, com garra, com busca, a gente vai passar por essa.

Você acha que é o amor, então, que faz você seguir em frente pelo seu filho?
Eu acho que é paixão (risos). Acho que é paixão.

E o que é paixão?
Paixão é inspiração, cara. É aquela coisa que você acorda de manhã e você não pode parar. Tem que continuar. Tem que seguir, tem que vencer.

O que existe de mais bonito na vida?
São as pessoas, por incrível que pareça. Por mais que fique difícil acreditar nisso. A gente tem que lembrar que ainda existe gente bacana sim, e não é pouco não. Tem muita gente que luta para que o mundo seja melhor, para que a sociedade seja melhor, mais inclusiva. Tem muita gente que acorda de manhã para lutar para levar uma vida honesta e tem quem acorde de manhã para que outras pessoas tenham a oportunidade de viver no país levando uma vida honesta. Não precisa ir para o banditismo, nada disso.

Então, acho que o melhor da vida são as pessoas, por incrível que possa parecer ouvir isso… são as pessoas. É só uma questão de como você vê. Como você percebe as coisas.

Tem alguém em quem você se inspira?
Eu já citei pessoas do meu convívio mesmo, mas eu tenho alguns ídolos. O meu maior ídolo, por exemplo, musical… é o Renato Russo. Além de ele ser o maior artista do Brasil… eu lembro muito dele, das coisas que ele falava, dos ideais que ele defendia, da garra que ele teve para chegar onde chegou. Entendeu? É uma pessoa que me inspira bastante. Embora tenha vindo de uma outra realidade totalmente diferente da minha. Ele era classe média alta… e toda aquela coisa. Mas é uma pessoa que mesmo 20 anos após a morte continua me inspirando.

Tem alguma música dele que você goste bastante?
Tem tantas…

Canta uma pra mim…
Ah, cantar, não. Cantar aí é demais (risos). Mas eu vou citar um trecho. Mas é claro que o Sol vai voltar amanhã. E vale para todo mundo.

É nisso que você se agarra?
Sim. Porque o Sol está aí, né (risos). Não importa o que você esteja passando. E não importa quem você seja. Você acorda de manhã e o Sol está aí. O Sol está para todos.

E o que você mais gosta de fazer para se distrair, se divertir?
Eu gosto de ler. Sou um leitor apaixonado, acho que vou seguir carreira na área de humanas. Sempre tem um livro comigo, ou jornal mesmo. Também gosto de estar com os amigos, de vez em quando tomo cerveja com os amigos — agora está mais difícil por causa das dificuldades (risos) — e gosto de estar com meu filho. Eu fico ele a cada 15 dias, né? E quando não tô com ele, geralmente estou com a namorada e os amigos.

O que você está lendo agora? Que livro você tem aí?
O que é o Poder. É uma série… quer ver? Deixa eu te mostrar [tira o livro da mochila]. Eu leio essa série há muitos anos, já. É da coleção Primeiros Passos. Então eles pegam um tema e explicam de forma bem sintética, sabe? Mas ao mesmo tempo tem um viés acadêmico, aprofundado. Eu gosto desses assuntos assim… Política, Sociologia, eu gosto bastante.

E o que é o poder?
Ah, (risos).

Nas suas palavras, vai… (risos)
Ah, o poder… pelo que eu li (risos)… O poder é a capacidade que algumas pessoas têm de girar uma potência em uma determinada… de fazer com que a sua vontade estabeleça uma determinada potência em um determinado círculo social. Então, para mim, hoje entendo que toda e qualquer relação, de alguma forma, provavelmente, é uma relação de poder. Mesmo em uma relação afetiva… sem criar uma medição de poderes ali… daí a dificuldade dos relacionamentos, entendeu?… em uma relação corporativa, quando você entra em uma empresa, já há uma relação de poder estabelecida, porque existe sempre o nível hierárquico. E por aí vai, o poder é isso.

E qual é o seu poder pessoal?
Meu poder? Meu poder é o poder de acreditar. O poder de acreditar no amor, na paixão.

E o que você sente pelo seu filho, dá para descrever?
Ah, ele é um pilar. É um dos pilares da minha vida, entendeu? Quando eu penso nele, eu me inspiro. Ele é uma das minhas grandes fontes de inspiração.

E como ele é?
Ah, como eu fui casado com uma mulher branca, ele tem uma mistura bem típica do Brasil. Ele tem a pele um pouco escura, mas tem o cabelo liso. Ele é muito lindo. Eu acho que a mistura deu super certo (risos). Ele tem cinco anos. Está muito esperto agora, está muito inteligente, aprendendo as coisas muito rápido. E é super carinho. Ele te conhece, ele te elogia, fala que você é bonita. E parte dele mesmo, sabe? Então é muito bacana.

E você lembra do dia que recebeu a notícia de que ia ser pai? Você levou um susto?
Lembro (riso nervoso). Assim, eu não planejei. Mas aconteceu. Ele acabou se tornando uma das maiores motivações da minha vida.

Sempre pensei que, se um dia eu fosse ter um filho, provavelmente seria uma coisa muito bem estudada e provavelmente em outro momento da minha vida, com a carreira mais consolidada, quando estivesse com melhores condições financeiras, sabe? Mas aí acabou acontecendo e se tornou um sentido para mim, um dos pilares da minha vida, das coisas que mais me motivam a seguir em frente e a vencer toda e qualquer dificuldade que possa aparecer.

E qual é a coisa mais valiosa na vida?
Eu vou tentar definir em uma única palavra, mas eu acho que serve para tudo: É o amor. É a paixão. Por quê? Porque eu acho que falando de amor eu estou falando do meu filho, falando de amor eu estou falando da minha família, da minha mãe, sabe? Dos meus amigos, que são muito importantes para mim. Eu sou muito ligado nos meus amigos, sabe? Acho que é uma coisa do signo. Eu sou Sagitário. Então eu acho que a gente precisa saber que existem amigos verdadeiros, mesmo hoje em dia. Embora muita gente fale que não, mas tem sim. Tem gente que realmente gosta de você pelo que você é, que não está interessado em coisas materiais que você possa proporcionar.

Então eu acho que é o amor. A palavra é amor. Porque é por amor que eu gosto de ler. É a paixão que me motiva a me aprimorar, buscar mais conhecimento. É a paixão pela vida que me motiva a acordar de manhã e a continuar, entendeu? E vencer toda e qualquer dificuldade que possa aparecer. Seja ela qual for, entendeu? O mais importante da vida é o amor.

Se você tivesse que dar um conselho para alguém, qual você daria?
Daria uma recomendação. Conselho é uma palavra que ficou meio clichê de dizer que é uma coisa negativa, né? Eu diria que… tente ver o lado positivo, por mais difícil que esteja, sabe? Tente ver o lado positivo, tente olhar as coisas de forma ampla. Muitas vezes depende muito do que a gente vê.

Eu vejo muito jornal e a mídia tem mostrado os dois lados da crise. Tem o lado dos 11 milhões e 400 mil [desempregados], do qual eu estou, mas tem gente que enxergou na crise uma oportunidade de fazer uma coisa diferente, buscar um outro nicho de mercado.

Por exemplo, eu estava vendo que tem empresas que não conseguem preencher determinadas vagas porque exigem um nível técnico. E olha o que a gente foi descobrir: embora tenha mais de 11 milhões e 400 mil pessoas desempregadas, tem empresas que não conseguem contratar.

Isso mostra o tamanho da desigualdade na educação, no Brasil como um todo, em todas as áreas, sobretudo na educação. Porque se está tanta gente desempregada, por que essas pessoas não podem preencher essas vagas? Porque não têm especialização. Porque não tem oportunidade. O ensino básico é ruim. Tem professores bons, mas o ensino é ruim. A pessoa, muitas vezes, tem que trabalhar e estudar. Chega cansada, não vai para a escola, muitas vezes nem consegue terminar o ensino médio.

Na minha família nós somos em seis, três homens e três mulheres. O único que terminou o ensino médio fui eu. Meus irmãos mais velhos agora estão fazendo supletivo para terminar. Meus irmãos mais novos abandonaram para trabalhar, vão tentar voltar daqui a um tempo.

Por quê? A educação está ligada a tudo isso, à desigualdade social. A crise da educação é a crise da estratificação da sociedade como um todo. E essa crise econômica, amplificada, está proporcionado a oportunidade de a gente perceber mais as mazelas do Brasil. Então se você tem tanta gente desempregada, por que tem tanta vaga em aberto? Vagas de nível especializado. As pessoas não tem a oportunidade de se especializar. Não é sempre por falta de vontade. Às vezes pode até ser, mas na maioria das vezes é pela desigualdade que é muito grande. Então é por isso…

Quais são os valores que seus pais te ensinaram e que você carrega pela vida, quer passar para seu filho?
Honestidade… em primeiro lugar. Força de vontade… Lembro da minha mãe trabalhando em dois empregos para poder criar a gente de forma honesta, sabe? Determinação. Foco. Eles não têm muita escolaridade, mas são os valores que me ensinaram que eu vou levar. O que eu aprendo nos livros é importante, claro. Mas são os valores humanos que eles me passaram na criação que vou levar pela vida toda e sempre vão nortear meu caminho. E são os que eu quero passar para o meu filho também, em primeiro lugar.

Tem alguma coisa que você já fez na vida e que se arrepende?
Eu não quero entrar em detalhes. Mas eu acho que já magoei algumas pessoas que não mereciam. Então, eu me arrependo.

E me arrependo de oportunidades que eu tive na vida e que deixei passar porque não estava preparado, estava disperso.

Às vezes a vida é assim. Ninguém avisa. Seria legal se, um dia antes, uma hora antes, chegasse um anjinho no seu ouvido e falasse: daqui a pouco a oportunidade vai vir.

Muitas vezes aconteceu comigo, de a oportunidade vir, bater na minha porta. Sei lá, eu estava fora de sintonia e não aproveitei. Eu me arrependo. Me arrependo bastante. Coisas que eu poderia ter feito, poderia ter conquistado. Lugares que poderia ter conhecido e não conheci. Por falta de preparo e por não estar ligado no momento certo, na hora certa. Não estar bem sintonizado, vamos dizer assim.

E viver isso fez com que você aprendesse alguma coisa?
Pensar nisso me fez perceber que eu preciso estar atento. Você precisa estar atento todo dia. Porque é o que eu falei. Tem muita gente bacana neste mundo. Mas também tem muita gente que não vale a pena. Então, por mais que você tenha amor no coração, honestidade, tenha uma vida honesta, você tem que ficar atento às coisas que vão tentar te afligir no dia a dia, as dificuldades que vão vir, e dificuldades que emanam de pessoas ruins.

O mundo é feito disso. Tem gente egoísta. Por exemplo: eu estou procurando emprego. Há um tempo atrás apareceu uma matéria aí, da Globo até, de gente que estava dando o golpe em desempregado. Falava você vai conseguir um emprego, você tem que pagar um valor, fazer um curso. No outro dia, o cara voltava lá e não tinha mais ninguém. Imagina a pessoa está desempregada e desembolsar duzentos, trezentos reais. É um absurdo. Às vezes o cara pediu dinheiro até emprestado. E fora o trauma, né? Aquilo deve marcar o psicológico da pessoa o resto da vida.

Tem alguma coisa bem emocionante que você se lembra? Algo que aconteceu e te marcou bastante?
Como eu já falei bastante do meu filho… no dia em que eu conheci a minha namorada foi uma coisa muito emocionante. Acho que no dia que a gente saiu a primeira vez, que ela aceitou namorar comigo, acho que nunca vou esquecer dos olhos dela. E a ansiedade que eu fiquei quando eu perguntei e ela ficou pensando se dizia sim ou não… e a gente está junto até hoje, vai fazer nove meses. E eu pretendo um dia formar uma família com ela. Nunca vou me esquecer, dos olhos dela, aqueles segundos que pareceram uma eternidade até ela dizer o sim. Foi um momento muito emocionante. Porque ela é uma pessoa muito importante na minha vida. Ela me ajuda, me dá muita força. Está do meu lado. E é uma mulher maravilhosa e muito bonita.

Onde vocês se conheceram?
Lá perto, no bairro mesmo.

E quando a viu, você teve aquele tique?
Já, já. De cara.

É ela!
Paixão! É ela.

E aí? “Meu Deus, é ela, tenho que chegar perto…”
Daí eu cheguei (risos). Para essas coisas eu não sou tímido, não.

Você é uma pessoa de objetivos, né?
Sou, sou. Assim, eu sou um pouco tímido também, mas eu acho que quando é necessário, em entrevistas de empresa, geralmente eu me dou muito bem, sabe? Ah, não sei. Você chega ali e tem que soltar a franga mesmo, mostrar quem é. Não tem que ter vergonha. O que você tem a perder? É como diz um amigo meu: se você não tem nada, não tem nada a perder. Vai lá e faz. Se der certo, ótimo. Mas se der errado, o que você tem a perder? Nada. Se eu chegar em uma entrevista, chegar lá e falar, falar, falar pelos cotovelos, e o cara achar que eu falei demais… o pior que vai acontecer é eu ter que ir em outra. Não tem que se importar com isso. A gente tem que mostrar a cara da gente mesmo, mostrar quem é.

Eu acho que isso é um dos males do mundo que a gente está vivendo. As pessoas não mostram a cara. Vivem disfarçados. Vestem máscaras o tempo todo. E quando você mostra a cara, todo mundo se surpreende, ‘Nossa, mas ele é deste jeito.’ Não é questão de ser deste jeito. É como eu sou. Todo mundo tem que ser como é. Se você é gay, tem que ser gay mesmo. Se você é gordo, seja gordo. E por que não pode ser aceito por ser gordo? Por que não pode existir beleza nisso? Por que tem que ser aquele padrão pré-estabelecido de magreza, de um tipo físico determinado? Não tem que ser assim. A gente é o que é. E somos todos de diferentes formas, entendeu? É isso que faz o mundo que a gente vive. É essa diversidade. Eu penso dessa forma, pelo menos.

É legal, porque um resumo de tudo que você disse, talvez uma das coisas mais simples e belas da vida seja o amor e a natureza das pessoas…
Tudo tem a ver com isso tudo. Eu não sei o que acontece, talvez seja uma coisa do mundo que a gente está vivendo.

Também acho que… se for olhar de uma forma mais ampla, as pessoas estão com medo. A gente tem muito medo no mundo em que a gente vive. Imagina, você chega em casa. Tem aquelas notícias que é aquele bombardeio. E agora tem internet. Você entra na internet e tem um monte de coisa absurda.

E fora que parece que tem muito egoísmo. Você vê essas notícias de corrupção… é muito egoísmo. As pessoas estão com medo mesmo, sabe? E aí elas se mascaram. Às vezes não é por mal. Elas colocam aquelas máscaras para fugir um pouco do mundo, que está assustador. É meio assustador mesmo.

Mas eu continuo achando que o certo é a gente meter a cara. Mostrar quem a gente é. E não se surpreender quando vê alguém que faz isso. Eu acho que essa é que é a saída. Quando a gente tiver coragem de meter a cara, a gente vai enfrentar um mundo com mais firmeza e vencer essas outras coisas negativas qeu existem. Se unir, mesmo. Enquanto estiver todo mundo mascarado, não tem como a gente ter união. Eu acho que a saída para tudo ainda é a união. E é a dificuldade que estamos tendo o tempo todo.


Parte deste texto virou uma coluna veiculada no programa Pelas Tabelas, da Rádio Silva, da Unifesp de Santos. A coluna Anônimos vai ao ar todas as sextas-feiras, das 17h30 às 20h, e é produzida e editada por Elida Oliveira, esta que vos escreve.