Café com Woody Allen

Faz um tempo que não escrevo sobre filmes, e algo inspirador (café, ou insônia) me levou a escrever. Tomei um à noite, e foi o bastou: lá se foi o sono, e pensei no Café.

Estive assistindo Café Society, do Woody Allen, e quanto mais assisto filmes dele, mais me sinto em uma grande série dividida em diversos capítulos e fases, mas sempre conduzidos de forma intensa e quase sempre, bem amarrada. A cidade, as pessoas que transitam nos lugares que parecem coladas aos personagens, os diálogos carregados de uma fineza simples, e grandiosa. Não é o melhor nem o mais brilhante filme dele, mas os elementos que traz na película, fazem com que esteja entre os que são dignos do que mais admiro em sua obra: a maestria de especular nas pequenas mesquizenhas do humano, também suas glórias.

Não são as grandes dores e dilemas que movimentam as cenas, são as pequenas e cruéis armadilhas que vão se tecendo sobre a vida dos personagens, que se confundem com outras teias e desvelam do que são capazes (ou não): seus medos, suas angústias disfarçadas, suas decepções, seus desejos, detalhes de vidas que compõe uma trama que nos traz para dentro da tela, e nos convida a sentar e discutir, café ou cerveja na mão, com as pessoas do filme. Tantos nós.

Filmes de Woody Allen, trazem aquele velho hábito de “conversar com a tela”, diálogos que nos fazem acreditar que de fato os personagens ouvem nossos conselhos, desatam os nós de seus (nossos) destinos, projeção infinda de vidas que aparentemente escolhem seus papéis.

Assistir Café Society, trouxe de volta os bons tempos dessas “brigas” indizíveis com os personagens, ora os alertando sobre suas escolhas, ora aquiescendo com suas trapaças, e dizendo “muito bem, você que sabe”.

As dores que são dores, e os cafés que não são cafés, na obra de Allen parece ser apenas parte do que cada um vivencia nos fios da trama, e faz um cordão embelezado pela bela e sempre presente fotografia do filme.

Me senti de novo, como há muito não sentia, assistindo-o, estranha familiaridade: ele voltou e foi muito bom revê-lo.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Elidia Rosa’s story.