Escritores da Liberdade: Um Universo de Bloqueios, Frustrações e Alegria

segunda-feira, 27 de março de 2017

Despertei após duas longas e estressantes semanas de trabalho. O cansaço era mais mental do que físico, mas as angústias que sentia, era somente pela falta dos toques dos meus dedos no teclado que sempre se encontra diante de minha visão… Mas, hoje comecei a sair dessa escuridão ou da mente nublada, sem um fio condutor que conseguisse quebrar o silêncio do Word totalmente white, pois ao acordar e tentar abrir os olhos, percebi que havia uma luz ofuscando minha visão. Me vi temporariamente impedida por aquela claridade, apesar desse brilho estar aparentemente longe de mim… Avistei aquela chama reacendendo devagar, ainda tão pequena, tímida, trôpega, tomando forma e crescendo pouco a pouco… Vindo lá do fundo da sala, que na verdade estava dentro de mim, em minha mente, no lugar que encontro repouso em uma solidão necessária para escrever… Enfim, sinto-me pronta novamente para ocupar os espaços vazios daquela página que me aguarda no notebook.

Quando nada externo consegue por um momento paralisar meus pensamentos, encontro nesse lugar, no meu refúgio, diversas estantes por todos os cantos, totalmente abarrotadas com minhas folhas cheias de inspirações que brotam pela sutil observação da vida que vem de todos os seres, das crises, das guerras e dos vulcões que há dentro de nós. Por essas vias emocionais, vários textos surgem pela sensibilidade, prontos para causar surpresas ao decifrar, libertar, derramar lágrimas e conhecer as coisas inimagináveis que vem das mentes de todos aqueles que passam a conhecer nossos devaneios pela leitura de nosso dia a dia.

Mas, até ontem um vazio habitou em mim me afastando de todo esse processo de criação, que torna possível formar e unir milhares de páginas com inúmeros parágrafos nascidos nas horas que não sabemos quando se inicia e nem o dia que quer terminar… Constato, então, que não tenho como negar que existe realmente um momento em que esse inesperado deserto de palavras visita alguns escritores. Ele pode ser breve ou insistentemente demorado, por isso é chamado de “bloqueio do escritor”, que nada mais é do que escassez de ideias. Isso tem sido presente em alguns momentos de correrias e acúmulos de responsabilidades que tenho passado em minhas rotinas e que me levam a perceber que de todo o universo literário que nos acolhe, essa sensação de terra árida nos pensamentos é a única parte que repudio e anseio que nunca mais se repita, mesmo sabendo que dificilmente esse desejo se realizará…

Há mais outros momentos de frustrações nesse nosso universo, dentre tantos, um vem da ausência sentida pela falta de aceitação ou exaltação que pouco ou nada se ganha quando um desses nossos filhos-textos é exposto ao público. Essa dor desnecessária vem do Ego que não desiste de almejar o reconhecimento e a popularidade para alimentar o orgulho e uma curtíssima sensação de satisfação dos que caçam em seus esconderijos mentais todos os dias uma nova oportunidade em criar.

Aguarda-se também o dia em que todas as inspirações publicadas sejam constantemente lidas por amigos, familiares e curtidas repetidas vezes a cada segundo pelo grande número de seguidores das redes sociais… No entanto, faltaria sinceridade nessa iniciante escritora se eu afirmasse que escrevo somente para me libertar e que, além disso, a reação pouco acolhedora do público em meus artigos, em nenhum momento já provocou desapontamentos em mim… Porém, como toda pessoa que naturalmente sente inseguranças nesse anonimato de inspirações, eu procuro enxergar o lado bom nos acontecimentos aparentemente insatisfatórios e escolho prosseguir em escrever minhas filosofias insanas, independente do número de reações Facebookeanas abaixo de cada título que tem a minha assinatura.

Pois não há como apagar o início de tudo que tenho experimentado, por isso, reconheço que uma das realizações que tenho, está no único motivo que me fez aceitar o desafio de ser colunista nesse novo caminho em que estou… Sendo assim, é impossível continuar alimentando esperanças por aplausos quando penso que já consegui o que ansiava, porque escrevo para libertar os monstros que me sufocam sempre. Escrevo para compartilhar escolhas, ideias, fatos desconhecidos e experiências. O ato de escrever em si libertou o grito preso em minha garganta, todavia, os milhões de usuários das diversas redes sociais espalhadas por todo o mundo, não precisam reverenciar ou conhecer o grito que nasce de minhas palavras. Essa tão almejada alegria se encontra unicamente no alívio emocional que até então não sabia como obter, mas hoje, através da escrita, passei a sentir e repartir com alguns através de todos os textos que não deixarei de parir.

Somos Escritores da Liberdade, por isso não precisamos do domínio do egocentrismo em nossa vida. Não fomos chamados para seguir padrões ou necessariamente conseguir os melhores lugares da Academia Brasileira de Letras. Escrevemos porque precisamos compartilhar nossas histórias e as verdades cruas por meio da expressão livre, que nem sempre se encontra enquadrada dentro das colunas dos inúmeros jornais, revistas e livros com alto índice de aceitação do público, encontrando sempre o seu lugar nas estantes das livrarias ou pendurados em todas as bancas de nossas cidades. Nosso objetivo está em bordar nossas palavras por toda a Rede que passa pelos tablets, smartphones, computadores entre tantos outros meios virtuais aptos a disponibilizar uma passagem para essa língua flamejante que possuímos e demonstramos através dos textos.

Fomos chamados para expor nossos pensamentos sobre diversos assuntos, sejam eles, sobre o governo desse país que tantas dores têm causado ou podemos também reascender as chamas dos sonhadores e fazer com que as memórias se lembrem que a felicidade se encontra na invisibilidade das simplicidades da vida. Esses sim, deveriam ser os principais anseios do coração de um escritor, além de também se alegrar ao saber que em todo e qualquer lugar, por mais simples que seja, alguém conseguirá se conectar por fios, satélites e conseguir respostas ao explorar, apreciar, crescer e se curar através das Genialidades Loucas que damos vida pelas conexões das palavras.

Que não venhamos a perder o grande foco que há no escritor, que não se contenta com as emoções de curtidas que duram somente alguns segundos. Que não venhamos a errar em encerrar uma carreira ou um chamado especial só porque provavelmente iremos um dia conhecer de perto aquilo que a sociedade chama de fracasso ou sentir repetidas vezes os bloqueios das opiniões em nosso cotidiano.

Podemos conviver sem o reconhecimento, porém, nunca um escritor se acostumará com a ausência da expressão escrita, porque o verbo é o combustível na vida daquele que semeia reflexões sem ter a noção do rumo que elas irão tomar pela força do vento.

Originally published at genialmentelouco.com.br on March 27, 2017.