Você Viu?… Dexter

Produzida pelo canal Showtime, a série Dexter, que me fascinou incontrolavelmente, teve o seu término depois de 8 temporadas no ano 2013. Como muitos sabem, Dexter Morgan é um personagem psicopata que nasceu das inspirações de Jeff Lindsay, que escreveu 8 livros com os seguintes títulos: Dexter — A Mão Esquerda de Deus (2008), Querido e Devotado Dexter (2009), Dexter no Escuro (2010), Design de um Assassino (2011), Dexter é Delicioso (2011), Duplo Dexter (2012), Dexter em Cena (2013) e Dexter está Morto (2015).

Quando converso com alguém sobre minha enorme paixão por esta série, percebo certa estranheza em quem ouve, afinal, como pode alguém gostar tanto de um herói que assassina para controlar seu vício macabro? Outro fator que pode ser visto como incômodo está ligado ao assistir o sangue que jorra pela TV enquanto assistimos aos episódios, mesmo que as filmagens tenham sequências básicas sobre a vida, profissão, relacionamentos e que Dexter passe um longo tempo analisando a si mesmo e as pessoas enquanto investiga sempre uma nova vítima, que na verdade nunca é vítima.

Mas, não estou aqui para comentar sobre os livros, que ainda irei ler, nem tentar diagnosticar as emoções desse personagem pelos olhos da psicologia, quero apenas compartilhar o que penso e sinto pelo analista forense de padrões de sangue chamado, Dexter Morgan, porque aprecio observar e aprender mais sobre a natureza humana e o seu autoconhecimento mega “metamorfósico”. Meus olhos se conectam à ele nos momentos em que as observações são direcionadas às pessoas que estão ao seu redor. Passando muitas horas em abstração, monólogos mentais e visitas ininterruptas em suas terapêuticas lembranças sobre sua história. Durante todo esse processo uma trama emocional é tecida longamente, sem pressa os seus pontos fracos e suas fortalezas identificam meios aceitáveis de viver seu mundo real dentro do universo normal que os demais vivem, sem prejudicar a si e nem aos outros. A forma como ele se autoconhece me extasia, porque ele suporta uma solidão sem fim em meio a multidão. É compreensível que somente na solidão forçada conseguimos mergulhar no imenso oceano que somos formados e sem nos afogar nos esforçamos em aprender a lidar com as guerras, monstros e mazelas que a vida se encarrega de nos apresentar não em episódios de uma série televisiva, mas nos fatos reais e inesperados de nosso cotidiano.

Penso que esta essência é real e pulsa no oculto de nossas mentes, nos esconderijos que sem culpas, preocupações, onde só pode ser assistido por nós, sem a presença de telespectadores que podem nos julgar e condenar. Este lado da face de Dexter é o que continuarei assistindo e me analisando sempre, independente dele ser um psicopata, serial killer, justiceiro e personagem fictício, eu o enxergo humanamente limitado e sem controle e não monstruoso, como ele se denomina. Não, ele não é um demônio, é apenas natural, carnal, por isso sabe lidar com seus lugares escuros sem medo e sem hipocrisia, por ser totalmente visceral e cheio de defeitos como todos nós somos.

Termino este post compartilhando algumas reflexões existenciais desse meu Querido e Devotado, Dexter:

“Não costumo compartilhar meus problemas com ninguém. Sempre consigo ver os problemas dos outros mais claramente que os meus.”
“As pessoas acham engraçado fingir ser um monstro. E eu passo minha vida fingindo que não sou um.” — falando sobre o Halloween
“Você não pode brincar com os meus sentimentos. Eu não tenho nenhum.”
“Se eu tivesse um coração, ele estaria se partindo agora.”
“Eu nunca estive no meio de tantas pessoas que fizessem eu me sentir normal. Normal de verdade.” — durante uma palestra de auto-ajuda

Originally published at www.leiturasdapaty.com.br on January 25, 2017.