Rua

Você já reparou nos rostos das pessoas que andam pela rua? Nem parecem notar que os cantos de seus lábios se contraem enquanto caminham cabisbaixas, contemplando o espaço ocupado pelos seus passos. Pisam sobre preocupações, sobre angústias, sobre a séria falta de algo. Se é verdade que algumas riem, também o é que raramente fazem-no sozinhas, pois quem ri só deve ser louco ou, por alguma causa transitória, está desequilibrado para a felicidade. Uma tal satisfação causa estranheza, e portanto insegurança. O ordinário é a constrição do pensamento, que se exprime no cenho crispado. Até um tímido sorriso solitário é anômalo por deixar escapar uma euforia vulgar. Por isso, quem sorri e não é insano, logo cessa a comunicação da alegria; quem ri e se reequilibra, recompõe-se e desfoca, abaixo, a vista. Continua-se, assim, a marcha grave, franzida, isenta dos risos e sorrisos de quase impossível empatia.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.