Minhas dívidas e o custo de oportunidade

No artigo Eu não sei fazer dívidas e você? eu levantei a importância da necessidade de uma boa compreensão da dívida antes da decisão final. Algo que eu só compreendi na prática e muito tempo depois, quando vivenciei o problema.

Eu sempre achei que o endividamento era normal e é exatamente isso que a nossa sociedade tenta nos ensinar, como eu expliquei através de uma reflexão que fiz no artigo Fazer dívida é normal.

Outro dia estudando sobre as escolhas que fazemos e suas consequências na nossa vida, eu aprendi o conceito do custo envolvido nas nossas escolhas, independentemente se a escolha é a mais adequada para você ou não. Escolher ou simplesmente não escolher, o que também já é uma escolha, sempre traz um custo muitas vezes não percebido ou pelo menos não considerado no momento da decisão, mas que você paga de qualquer jeito.

Custo de oportunidade

O custo de oportunidade é o que você perde ou deixa de ganhar em consequência da escolha feita. Significa que você renunciou dos benefícios de uma escolha em detrimento da outra.

Vamos a um exemplo. Eu estou com tempo livre e não sei direito o que fazer para aproveitar o tempo ocioso. Imagine que eu tenho as opções abaixo:

  1. Assistir televisão;
  2. Ler um livro.

Se eu escolhi jogar meu tempo fora na frente da televisão, eu deixei de aproveitar o ativo (o tempo) mais precioso que tenho lendo um livro e aprendendo algo novo.

Em resumo, o custo de oportunidade é um benefício perdido por causa de uma determinada escolha.

O que eu perco por causa de minhas dívidas?

Refletindo sobre dívidas eu queria saber o que eu perco por causa das dívidas feitas há algum tempo atrás e que certamente vai ter reflexo por toda vida.

A obtenção de uma métrica para o custo de oportunidade pode ser difícil devido a subjetividade envolvida, são vários aspectos que devem ser analisados. Porém se eu tivesse resolvido o problema que originou a dívida de outra forma e hoje não tivesse o compromisso mensal do pagamento de juros mais saldo devedor que forma a parcela da dívida, eu poderia aplicar o conceito básico da educação financeira que é poupar e investir este dinheiro.

Para nós investidores existem alguns indicadores financeiros de referência para cálculo de rentabilidade facilmente acessível para qualquer pessoa e que posso usar aqui para simular um cenário factível de retorno futuro de investimento.

No Brasil é muito comum as pessoas financiarem pelo menos um imóvel residencial e um carro o que pode chegar tranquilamente a um desembolso mensal de R$ 1.000,00 (um mil reais) para quitar parcelas dos financiamentos. Vou usar este número redondo para analisar o custo de oportunidade desta dívida que representa o meu caso e o de muitos brasileiros.

  • Aportes: R$ 1.000,00 mensal
  • Taxa de aplicação: 7% anual
  • Inflação: 4,5% anual

Custo de oportunidade de uma dívida de R$ 1.000,00…

Observe que em 30 anos, que é um tempo muito comum usado em financiamento de imóveis eu teria acumulado um patrimônio de R$ 524 mil reais descontado da inflação.

Este montante investido em um produto bem conservador a uma taxa de 6% ao ano ou seja 0,5% ao mês, garante uma renda passiva de R$ 2.620,00 (dois mil seiscentos e vinte reais), um belo complemento para fins de aposentadoria.

Uma observação importante é que uma dívida não só representa uma prisão que te retira todo o benefício analisado na simulação acima, como também te impossibilita de fazer novos investimentos, já que sobre ela incorrem juros e taxas as vezes muito superiores aos valores recebidos em investimentos conservadores.

Este é o custo de oportunidade da minha dívida, ou seja eu comprometi todo o meu futuro por conta de um financiamento aparentemente ingênuo. A partir desta compreensão eu preciso partir para ação e me livrar o quanto antes desta dívida para minimizar o seu impacto nas minhas finanças.

Artigo originalmente publicado em meu blog: https://inteligenciafinanceira.net/minhas-dividas-e-o-custo-de-oportunidade/